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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas conseguem reverter rejeição a órgão suíno pela primeira vez e abrem caminho para transplantes inéditos

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Pela primeira vez, uma equipe internacional de pesquisadores conseguiu reverter episódios de rejeição a um órgão suíno transplantado em um corpo humano. O marco científico, descrito em um estudo publicado no dia 13 de novembro na revista Nature, reacende expectativas sobre o futuro dos xenotransplantes — área que busca empregar órgãos de porcos geneticamente modificados para suprir a escassez crônica de doadores humanos.

O experimento foi conduzido no NYU Langone Transplant Institute, nos Estados Unidos, e utilizou o corpo de um paciente com morte cerebral cedido para pesquisa. Um rim de porco modificado geneticamente foi implantado e acompanhado diariamente por 61 dias, o período mais longo já registrado de funcionamento de um órgão suíno nesse tipo de condição.

Ao longo do estudo, a equipe detectou dois episódios de rejeição. Em ambos, os médicos aplicaram medicamentos já existentes, usados em transplantes convencionais, e conseguiram reverter a reação imunológica — algo considerado até então impossível nesse tipo de procedimento. O órgão voltou a funcionar após cada intervenção.

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“É um enorme avanço”, afirmou Robert Montgomery, líder do estudo, em entrevista à ABC News. Para ele, a descoberta coloca a ciência “a poucos anos” de transformar órgãos suínos editados geneticamente em alternativas viáveis para pacientes na fila de transplante.

Especialistas de fora da pesquisa reforçaram a importância do resultado. Muhammad Mohiuddin, cirurgião da Universidade de Maryland e pioneiro no primeiro transplante de porco para humano em 2022, classificou o trabalho como a primeira demonstração concreta de que rejeições podem, de fato, ser controladas.

Segundo a revista Smithsonian, a chave para o sucesso foi o monitoramento intensivo. Os pesquisadores realizaram biópsias, coletas de sangue e análises celulares diárias, criando um panorama detalhado de como o sistema imunológico humano reagia ao órgão. A vigilância permitiu identificar sinais de rejeição cinco dias antes do que seria possível em condições tradicionais.

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As análises também revelaram que o rim suíno carregava genes percebidos como estranhos pelo organismo humano, desencadeando respostas mais robustas das células T — um tipo de glóbulo branco que combate elementos que o corpo reconhece como invasores.

O desempenho do órgão durante os 61 dias foi visto como um indicativo importante por especialistas. Minnie Sarwal, cirurgiã e co-diretora do programa de transplantes de rim e pâncreas da Universidade da Califórnia em São Francisco, disse à CNN que o resultado representa “uma prova de conceito inovadora” com potencial para reduzir significativamente o tempo de espera por transplantes.

Com o sucesso inicial, a equipe pretende avançar para estudos com mais 20 pacientes, com foco em aprimorar técnicas de supressão imunológica e entender como replicar os resultados em casos futuros.

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