Em uma guinada política inesperada, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (16/11) que apoia a realização de uma votação na Câmara dos Representantes para decidir sobre a divulgação integral dos documentos sigilosos relacionados ao caso Jeffrey Epstein. O financista, acusado de comandar uma rede de tráfico sexual de menores, morreu na prisão em 2019.
A mudança de postura ocorre após a circulação de e-mails antigos que sugerem que Trump estava ciente das condutas criminosas atribuídas a Epstein. Entre as mensagens, há relatos de encontros do então empresário com uma das vítimas do esquema. O caso volta a constranger aliados republicanos, especialmente diante da proximidade que o magnata manteve com Epstein por anos — relação que o próprio Epstein já havia descrito como de “amizade mais próxima por uma década”.
A repercussão dominou a imprensa francesa nesta segunda-feira (17). O jornal Libération destacou que “o fantasma de Epstein assombra novamente a Casa Branca”, enquanto Trump, em publicação na Truth Social, afirmou: “Não temos nada a esconder”, acusando os democratas de instrumentalizarem o caso.
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O que está em votação
A proposta em análise na Câmara pode obrigar o Departamento de Justiça a liberar todos os documentos do dossiê Epstein. Mesmo antes do recuo de Trump, a maioria dos deputados já demonstrava apoio à transparência. Um dos defensores mais engajados é o republicano Thomas Massie, perfilado pelo jornal La Croix. Segundo o periódico, o parlamentar se tornou uma figura de referência entre conservadores ao colocar a liberdade de expressão no centro de sua atuação.
Mas o caminho legislativo ainda é longo: depois da Câmara, o texto precisa passar pelo Senado e, por fim, ser sancionado pelo próprio Trump.
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O histórico do escândalo
Epstein manteve, durante anos, uma rede de recrutamento de menores com a ajuda de Ghislaine Maxwell — hoje condenada a 20 anos de prisão. Sua morte gerou suspeitas em diferentes espectros políticos, alimentando teorias sobre um possível assassinato destinado a proteger figuras influentes envolvidas no esquema.
Trump afirma que desconhecia o tráfico sexual comandado por Epstein. Durante a campanha presidencial, chegou a prometer revelações sobre o caso, mas mudou o discurso diante das suspeitas que passaram a respingá-lo.
Agora, sob pressão crescente de democratas pela abertura total dos arquivos, o presidente tenta se distanciar da narrativa de que republicanos seriam afetados pela revelação dos documentos. “É um problema dos democratas, não dos republicanos”, escreveu, atacando colegas do próprio partido que, segundo ele, teriam “cedido” à oposição.
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