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quarta-feira, setembro 16, 2026

Abelhas surpreendem cientistas ao aprender padrões de código Morse usando luzes

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As abelhas sempre foram reconhecidas por seu papel essencial como polinizadoras, mas um novo estudo indica que elas podem ter habilidades cognitivas ainda mais complexas do que se imaginava. Pesquisadores da Queen Mary University of London descobriram que exemplares da espécie Bombus terrestris — comuns na Europa, Ásia, África e América do Norte — conseguem aprender padrões luminosos semelhantes ao código Morse para localizar recompensas.

A investigação, publicada na revista Biology Letters, utilizou zangões (machos das abelhas) para avaliar se eles seriam capazes de distinguir durações diferentes de flashes de luz. A habilidade, segundo os pesquisadores, está ligada à capacidade dos insetos de processar informações temporais — um recurso valioso para a sobrevivência na natureza.

“Queríamos descobrir se os zangões conseguiam aprender a diferença entre essas diferentes durações e foi muito emocionante vê-los fazer isso”, afirmou o autor do estudo, Alex Davidson, em comunicado.

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Como foi feito o experimento

Os insetos foram colocados em caixas onde eram expostos a dois tipos de estímulo: um flash de luz mais longo e outro mais curto. Dois testes foram conduzidos: no primeiro, as luzes duravam cinco e um segundo; no segundo, 2,5 segundos e meio segundo.

Para ensinar os padrões, os cientistas associaram um dos tempos de luz a uma recompensa açucarada, enquanto o outro era ligado à quinina, substância de gosto amargo. Os padrões variavam entre grupos para evitar que os insetos decorassem o posicionamento das luzes.

Após a fase de treinamento, as abelhas foram colocadas em um labirinto para buscar a recompensa. Cada animal precisava acertar ao menos 15 escolhas em 20 tentativas para avançar.

Mesmo quando o açúcar foi retirado do experimento — para garantir que o cheiro não fosse um fator de influência —, a maioria dos zangões continuou escolhendo o padrão luminoso associado à recompensa doce. Isso demonstrou que eles realmente aprenderam a distinguir a duração dos flashes.

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Capacidade ainda misteriosa

Embora os resultados mostrem que as abelhas conseguem identificar estímulos visuais temporais inéditos em seu ambiente natural, os cientistas ainda não sabem qual mecanismo neural permite esse tipo de processamento.

“Como as abelhas não encontram estímulos luminosos intermitentes na natureza, é notável que elas consigam realizar essa tarefa. Isso pode indicar uma extensão de capacidades temporais evoluídas para outros propósitos, como acompanhar movimento ou comunicação”, destacou Davidson.

O estudo abre caminho para novas investigações sobre a cognição desses insetos — e mostra que até padrões inspirados no código Morse podem ser decifrados por um dos seres mais importantes para o equilíbrio ambiental.

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