O famoso coral que anuncia o amanhecer pode esconder um detalhe curioso: os pássaros ficam impacientes quando o Sol demora a aparecer. Um estudo conduzido pelo biólogo brasileiro Ednei Barros dos Santos, do Instituto Coreano de Pesquisa Cerebral, revelou que os tentilhões-zebra (Taeniopygia guttata) aumentam o volume de seu canto quando há atraso na simulação da luz solar.
A pesquisa, divulgada em pré-print no repositório científico bioRxiv, analisou o comportamento das aves em cativeiro sob diferentes ciclos de iluminação. Quando havia luz, os pássaros cantavam normalmente; na escuridão total, o silêncio era absoluto. Porém, quando o nascer do Sol foi propositalmente retardado, as aves começaram a cantar mais alto e com maior frequência — uma espécie de “protesto” diante do atraso da luz.
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Segundo os cientistas, os tentilhões pareciam antecipar o amanhecer e reagiam com inquietação quando ele não vinha. Mesmo no escuro, se movimentavam e vocalizavam intensamente. Em outro experimento, os pesquisadores instalaram interruptores nas gaiolas e constataram que os pássaros acendiam as luzes quando o amanhecer tardava — comportamento que não se repetia quando a claridade surgia no horário esperado.
“Os pássaros acordam no escuro, muito antes do amanhecer, provavelmente por meio de mecanismos hormonais associados à melatonina. Seu desejo para cantar aumenta mesmo com a escuridão”, explicam os autores.
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O canto matinal, afirmam os pesquisadores, serve não apenas para aquecer a voz após o repouso, mas também para reforçar comportamentos de reprodução e comunicação entre as aves. “Essas descobertas fornecem explicações mecanísticas e funcionais do porquê pássaros cantam pela manhã”, concluíram.
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