O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar a estrutura financeira do crime organizado no Rio de Janeiro. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (5/11), durante reunião com entidades e representantes da sociedade civil, em Brasília.
De acordo com Moraes, a investigação terá como foco esquemas de lavagem de dinheiro, fontes de financiamento de facções e milícias e possíveis relações dessas organizações com o poder público. “O objetivo principal é atingir a estrutura econômica das facções criminosas”, afirmou o ministro.
A decisão ocorre uma semana após a megaoperação policial nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos e se tornou a mais letal da história do país. O episódio provocou intensa repercussão nacional e levou o STF a cobrar mais transparência e controle nas ações de segurança pública no estado.
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Moraes é o relator temporário da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que supervisiona a legalidade e os impactos das operações policiais em comunidades do Rio. A função foi assumida após a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
O encontro desta quarta durou cerca de duas horas e meia e contou com a presença de 29 representantes de entidades civis, incluindo defensores públicos, ativistas e parlamentares. Um dos temas mais debatidos foi a perícia independente das mortes ocorridas durante a operação.
Segundo a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL-RJ), que participou da reunião, Moraes reafirmou que a Polícia Federal atuará diretamente na identificação e perícia dos mortos. A medida atende a um pedido da Defensoria Pública da União (DPU), que havia solicitado ao STF a preservação integral das provas e cadeias de custódia.
O ministro também prometeu uma atuação mais ampla do Supremo no acompanhamento das investigações sobre violência policial e crime organizado no estado. Segundo fontes presentes no encontro, Moraes sinalizou que a PF será responsável não apenas pela análise das finanças das facções, mas também pelo monitoramento de agentes públicos suspeitos de conivência com essas estruturas.
Com a nova determinação, o STF amplia sua participação direta no debate sobre segurança pública no Rio, num momento em que o tema volta ao centro da agenda política após a sequência de operações com alto número de mortos nas comunidades fluminenses.
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