Beber leite “direto da vaca” pode parecer uma prática saudável e natural, mas especialistas alertam: o hábito representa riscos sérios à saúde. O chamado leite cru — aquele que não passa por nenhum processo de pasteurização ou esterilização — pode conter bactérias, vírus e parasitas causadores de doenças graves, como salmonelose, tuberculose e brucelose.
A imagem bucólica do campo, com o leite sendo ordenhado e servido na hora, ainda resiste no imaginário popular. Mas, segundo o Ministério da Saúde, apenas o leite submetido a controle sanitário é seguro para consumo. A legislação brasileira, em vigor desde 1969, proíbe a venda de leite cru para consumo direto, conforme o Decreto-Lei nº 923.
“O leite é um alimento nobre e nutritivo, mas quando ingerido cru se torna um vetor de infecção. É como beber água de rio sem tratar”, explica a nutricionista e pesquisadora em segurança alimentar Marina Castro.
O que é o leite cru?
O leite cru é o produto extraído do animal sem qualquer tipo de tratamento térmico. Isso significa que ele pode abrigar microrganismos patogênicos provenientes tanto do próprio animal quanto do ambiente de ordenha e transporte.
Segundo especialistas, mesmo quando aparentemente fresco e com cheiro agradável, o leite cru pode estar contaminado. “Esses microrganismos são invisíveis e, muitas vezes, não alteram o sabor ou o odor do leite”, afirma Marina.
O consumo desse tipo de leite é particularmente perigoso para crianças, idosos, gestantes e pessoas imunossuprimidas, que têm maior vulnerabilidade a infecções.
++ A radiação foi tão intensa que gravou uma sombra na Terra
Pasteurização e esterilização: segurança no tratamento
A pasteurização é o processo mais comum de tratamento térmico do leite. Nela, o produto é aquecido a temperaturas inferiores a 100 °C e resfriado rapidamente. O método elimina microrganismos prejudiciais sem comprometer o sabor e os nutrientes. O leite pasteurizado deve ser mantido refrigerado e tem validade média de sete dias.
Já a esterilização, conhecida pela sigla UHT (Ultra High Temperature), utiliza temperaturas superiores a 135 °C por poucos segundos. Esse processo elimina praticamente todos os microrganismos, permitindo que o leite seja armazenado por meses em temperatura ambiente, desde que embalado de forma asséptica.
“A pasteurização e a esterilização são medidas de saúde pública. Elas transformam um produto potencialmente perigoso em um alimento seguro”, explica Lívia Fernandes, engenheira de alimentos e professora da Universidade Federal de Viçosa.
Por que o leite cru é arriscado?
O leite é um meio altamente nutritivo, ideal para o crescimento de bactérias. Quando não passa por tratamento, ele pode carregar agentes como Salmonella spp., Listeria monocytogenes e Escherichia coli, que provocam infecções gastrointestinais e até complicações neurológicas.
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, reforça que o consumo de leite cru é uma das principais causas de surtos alimentares em áreas rurais.
No Brasil, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) também alerta que não existem métodos caseiros capazes de substituir o processo industrial de pasteurização.
++ Vista de um balão expõe a velocidade impressionante das aeronaves
Leite natural, mas seguro
Apesar do discurso em torno de uma alimentação mais “natural”, especialistas defendem que natural não deve ser sinônimo de inseguro. O tratamento térmico do leite não elimina seus benefícios nutricionais — como o cálcio, as proteínas e as vitaminas —, mas garante que ele seja livre de microrganismos prejudiciais.
“A pasteurização não tira o valor do leite. Ela apenas garante que o que chega à mesa do consumidor não traga riscos invisíveis”, conclui Lívia Fernandes.
Legislação e fiscalização
A comercialização de leite cru para consumo humano é proibida há mais de 50 anos no Brasil. O decreto-lei de 1969 estabelece que apenas produtos submetidos a tratamento térmico e aprovados por órgãos de vigilância podem ser vendidos.
Ainda assim, a prática de consumo direto do leite ordenhado persiste em algumas regiões rurais. O Ministério da Saúde e as vigilâncias estaduais reforçam que a fiscalização e a conscientização são essenciais para evitar doenças e garantir a segurança alimentar.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



