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domingo, julho 26, 2026

Após dois séculos, araras-canindés voltam a voar pelos céus do Rio de Janeiro

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Depois de mais de 200 anos ausentes dos céus cariocas, as araras-canindés estão prestes a retornar à vida livre no Rio de Janeiro. As aves — um macho e duas fêmeas — foram resgatadas de situações de maus-tratos e desde junho passam por reabilitação e treinamento para reintegração à natureza.

O projeto é conduzido pela ONG Refauna, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outras instituições. As araras vieram do Refúgio das Aves, localizado no Parque Três Pescadores, em Aparecida (SP), e agora vivem em um viveiro adaptado dentro do Parque Nacional da Tijuca, na Zona Norte do Rio.

“Mesmo onde há floresta, muitas vezes ela está silenciosa, vazia. Ao trazer de volta animais como as araras, estamos restaurando funções ecológicas e ajudando a natureza a se regenerar”, explica o biólogo Marcelo Rheingantz, diretor-executivo da Refauna e professor da UFRJ.

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Treinamento para a liberdade

No viveiro, as araras recebem alimentação com frutos nativos, estímulos de voo e atividades que reforçam comportamentos essenciais para a vida em liberdade. A equipe também monitora a adaptação ao ambiente natural, garantindo que as aves desenvolvam as habilidades necessárias para sobreviver na mata.

O último registro de uma arara-canindé em vida livre na capital fluminense data de 1818, feito pelo naturalista Johann Natterer. Desde então, a espécie — nativa da América do Sul — havia desaparecido da região.

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Guardiãs da floresta

Além da beleza exuberante, as araras-canindés exercem um papel crucial na regeneração da Mata Atlântica. Elas ajudam na dispersão de sementes, transportando frutos entre diferentes áreas da floresta e favorecendo o crescimento de novas árvores.

A ONG Refauna planeja reintroduzir cerca de 50 araras nos próximos seis anos, em um esforço de restauração ecológica. A primeira soltura está prevista para dezembro, quando as aves deverão sobrevoar novamente o Rio — recuperando não apenas um símbolo da biodiversidade, mas também um pedaço da história natural da cidade.

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