Cientistas do Instituto de Ciência de Tóquio desenvolveram uma bateria de hidrogênio sólida capaz de operar em temperaturas muito mais baixas que as tecnologias existentes — um marco que pode transformar o mercado de veículos elétricos. O estudo, publicado em 18 de setembro na revista Science, descreve um modelo que funciona a 90 °C, enquanto versões anteriores exigiam de 300 °C a 400 °C.
O avanço é resultado da combinação de hidreto de magnésio (MgH₂) no ânodo, gás hidrogênio no cátodo e um eletrolito sólido cristalino composto por hidretos de bário, cálcio e sódio. Essa estrutura permite alta condutividade iônica e estabilidade eletroquímica em temperaturas mais baixas — algo inédito até então.
Durante a descarga, o hidrogênio se transforma em íons hidreto (H⁻), que se movem pelo eletrolito até o ânodo, onde geram eletricidade ao liberar elétrons. No processo inverso, durante a recarga, o gás hidrogênio é regenerado, tornando o ciclo totalmente reversível e limpo.
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O resultado impressiona: a nova bateria atinge capacidade de 2.030 mAh por grama, quase dez vezes superior à das baterias de íon-lítio, que variam entre 154 mAh e 203 mAh/g. Isso significa mais autonomia com menos peso, além de maior durabilidade e menor degradação com o tempo.
“Essas propriedades eram antes inatingíveis com métodos convencionais ou eletrólitos líquidos”, explicou o pesquisador Takashi Hirose, da Universidade de Kyoto, que colaborou no projeto. “Elas estabelecem uma base sólida para sistemas de armazenamento de energia mais eficientes.”
Embora ainda opere em temperaturas elevadas para dispositivos portáteis, o modelo elimina a necessidade de pressão extrema, resfriamento intenso ou calor excessivo, o que torna o armazenamento de hidrogênio mais seguro e acessível.
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A expectativa é que, com o amadurecimento da tecnologia, a bateria possa impulsionar carros elétricos mais leves e sustentáveis, além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
Se confirmada sua viabilidade em larga escala, a inovação japonesa poderá marcar o início de uma nova geração de sistemas energéticos — onde o hidrogênio, e não o lítio, se tornará o combustível do futuro.
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