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sexta-feira, julho 17, 2026

Inteligência artificial identifica lesões cerebrais invisíveis a exames em crianças com epilepsia

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Uma equipe de cientistas australianos desenvolveu uma ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de detectar lesões cerebrais minúsculas em crianças com epilepsia — alterações que muitas vezes passam despercebidas mesmo em exames de ressonância magnética. O avanço, publicado na revista Epilepsia, promete acelerar diagnósticos e tornar cirurgias mais precisas, oferecendo nova esperança a pacientes com crises de difícil controle.

A epilepsia afeta uma em cada 200 crianças, e cerca de um terço dos casos não responde aos medicamentos disponíveis. Em boa parte dessas situações, a causa está em displasias corticais — pequenas malformações no cérebro que geram as crises, mas que frequentemente não aparecem nos exames convencionais. Estima-se que até 80% das ressonâncias magnéticas não revelem essas lesões ocultas, atrasando o tratamento e dificultando a cura cirúrgica.

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Como a IA atua

Pesquisadores do Murdoch Children’s Research Institute (MCRI) e do Royal Children’s Hospital, em Melbourne, treinaram o sistema para funcionar como um “detetive digital”. O programa analisa imagens cerebrais e destaca regiões suspeitas, permitindo que médicos e radiologistas confirmem a presença de anomalias com mais rapidez e precisão.

Nos testes iniciais, que envolveram 71 crianças e 23 adultos com epilepsia focal, a IA conseguiu identificar lesões invisíveis a olho nu. Entre os jovens pacientes, 12 passaram por cirurgia e 11 ficaram completamente livres das crises, demonstrando o potencial clínico da tecnologia.

Um dos casos mais marcantes é o de John, de 11 anos, que sofria múltiplas convulsões diárias. Após a IA apontar a localização exata da displasia, ele foi operado e não apresentou novas crises, recuperando sua qualidade de vida.

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Perspectivas e próximos passos

Os pesquisadores destacam que a IA não substitui a avaliação humana, mas funciona como uma ferramenta de apoio fundamental para o diagnóstico precoce. A próxima etapa do projeto é testar o sistema em hospitais pediátricos de diferentes países, analisando sua eficácia clínica e o impacto na rotina médica.

A tecnologia, segundo os especialistas, abre caminho para tratamentos mais rápidos e precisos, especialmente em casos de epilepsia resistente a medicamentos. “Quanto antes identificamos a lesão, maiores são as chances de cura e de devolução da qualidade de vida à criança”, afirmou um dos pesquisadores do estudo.

Com esse avanço, a inteligência artificial dá mais um passo rumo à integração plena com a medicina de precisão, transformando a forma como doenças neurológicas são diagnosticadas e tratadas em todo o mundo.

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