As canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis à base de agonistas GLP-1, tornaram-se o novo alvo das facções criminosas que atuam em Salvador. O produto, vendido sob prescrição e com alto valor de revenda, vem sendo sistematicamente roubado de farmácias em diferentes bairros da cidade — e já motiva operações policiais para conter o avanço dos crimes.
De acordo com a Polícia Civil, apenas no primeiro semestre de 2025 um grupo especializado foi responsável por 23 assaltos a drogarias da capital. A quadrilha, ligada a facções com presença marcante no Nordeste de Amaralina — área dominada pelo Comando Vermelho (CV) —, mirava estoques de medicamentos de uso controlado, sobretudo os emagrecedores.
Uma fonte policial ouvida sob anonimato aponta que a motivação é financeira. “Essas canetas têm alta rentabilidade. Quando o tráfico sofre perdas de armas, drogas ou dinheiro, migra para roubos rápidos e de alto valor, como os de farmácias”, explica.
++ Fazendeiro organiza ovelhas pra homenagear tia que faleceu.
O Sindicato dos Farmacêuticos da Bahia (Sindifarma) confirma o aumento expressivo dos crimes. Segundo o diretor Gibran Sousa, a escalada da violência tem obrigado redes a reduzir horários de funcionamento e contratar segurança privada, elevando custos e reduzindo estoques. “Há estabelecimentos que preferem não adquirir grandes quantidades com medo de serem atacados”, relata.
Além dos prejuízos financeiros, o medo também atinge consumidores. Moradores de bairros como Graça e Pituba, alguns dos mais visados, relatam receio até de comprar remédios à noite. “Mesmo morando perto, evito ir à farmácia depois de certo horário. Já vi um assalto acontecer em frente à minha casa”, conta a estudante Inara Souza, de 24 anos.
Os ataques também vêm acompanhados do crescimento do mercado ilegal dessas canetas. Dados da Receita Federal mostram que, apenas no Aeroporto de Salvador, as apreensões saltaram de 67 unidades em 2024 para 385 em 2025. “Esses produtos seriam revendidos em plataformas online e no mercado paralelo da Bahia”, afirma Ricardo da Silva Machado, superintendente-adjunto da Receita.
++ Bolsonaro pede ao STF autorização para receber grupo de oração liderado por Michelle em casa
Para o Conselho Regional de Farmácia da Bahia (CRF-BA), a vulnerabilidade é agravada pelo fato de muitas drogarias funcionarem 24 horas. “O aumento de estabelecimentos abertos durante a madrugada os torna alvos fáceis. É preciso intensificar a vigilância policial nessas áreas”, defende a vice-presidente Ângela Pontes.
Em apenas três meses, os ataques atribuídos a facções resultaram em um prejuízo estimado de R$ 2 milhões, segundo as investigações. A escalada da violência reforça o alerta sobre a atuação de grupos organizados no varejo farmacêutico — e expõe uma nova e perigosa fronteira para o crime na capital baiana.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



