Prever a erupção de um vulcão com a mesma precisão de uma previsão meteorológica parece ficção científica, mas um estudo na Sicília aponta que essa possibilidade está mais próxima. Pesquisadores usaram inteligência artificial para processar milhares de registros sísmicos do Vulcano, um dos mais temidos da ilha, e reconstruíram em três dimensões sua estrutura interna com nível de detalhe inédito.
Mais de 800 milhões de pessoas no mundo vivem nas proximidades de vulcões ativos, e apenas 30% deles contam com monitoramento adequado. O desafio, segundo especialistas, é que cada vulcão tem comportamento próprio, o que dificulta generalizações e previsões confiáveis.
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Como o estudo foi feito
A oportunidade surgiu em 2021, quando o Vulcano apresentou sinais de atividade. Uma rede com 200 sensores foi instalada na ilha para captar vibrações do solo não ligadas a terremotos, mas ao “ruído de fundo” constante causado pelo movimento interno de magma, gás e água.
A quantidade de dados foi gigantesca e exigiu uma solução inovadora. O aprendizado de máquina foi utilizado para decifrar o padrão desses sinais, permitindo a criação de uma espécie de “ressonância magnética” subterrânea.
O que os cientistas encontraram
O mapeamento revelou zonas de subida de magma, bolsões de gás e pontos de infiltração de água, além de falhas geológicas que antes não eram visíveis. Segundo Matteo Lupi, autor do estudo publicado na Nature Communications, a comparação é direta: “É como passar do ultrassom para a ressonância magnética na medicina”.
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Perspectivas para o futuro
A técnica pode abrir caminho para monitoramento quase em tempo real de vulcões ao redor do mundo, permitindo ajustar planos de evacuação com rapidez e reduzir o risco de catástrofes.
Para Douglas Stumpp, coautor da pesquisa, o avanço mostra que a integração entre sismologia e inteligência artificial não é mais uma hipótese distante: “Agora sabemos que é viável processar volumes gigantes de dados de forma rápida e transformar essa informação em prevenção”.
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