Um levantamento da Netscout revelou que o Brasil concentrou o maior número de ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) na América Latina no primeiro semestre de 2025. Foram mais de 550 mil ofensivas em seis meses, o que representa um aumento de 55% em relação ao mesmo período do ano passado.
Na região, o total ultrapassou 1 milhão de incidentes, sendo o Brasil responsável por mais da metade deles.
Setores mais visados
Os principais alvos foram empresas de telecomunicações móveis, provedores de hospedagem e de infraestrutura digital, além de outros serviços de telecom. Em alguns casos, os ataques chegaram a gerar picos de 2 terabits por segundo (Tbps) de tráfego malicioso.
Outros segmentos também foram atingidos, incluindo bancos, transportadoras de cargas e até organizações religiosas. Segundo o relatório, cada ofensiva durou em média alguns minutos, mas já foi suficiente para causar lentidão e instabilidade em sistemas críticos.
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Hacktivismo e inteligência artificial em expansão
O estudo aponta que os ataques estão cada vez mais sofisticados. Grupos hacktivistas, como o NoName057(16), coordenam centenas de ofensivas mensais contra governos e empresas.
Outro fator que preocupa é a disseminação de serviços de “DDoS sob demanda”, que permitem até a usuários inexperientes realizar campanhas de alto impacto.
Além disso, o uso de inteligência artificial ampliou a complexidade das ameaças. Ferramentas como WormGPT e FraudGPT já estão sendo empregadas em ataques multivetoriais, automatizados e mais difíceis de conter. Botnets formadas por dispositivos de Internet das Coisas (IoT), roteadores e servidores comprometidos também sustentam ofensivas de longa duração.
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Panorama global
No mundo, foram registrados mais de 8 milhões de ataques DDoS entre janeiro e junho de 2025. O maior deles, de 3,12 Tbps, ocorreu na Holanda. Conflitos geopolíticos também influenciaram esse cenário: em junho, o embate entre Irã e Israel resultou em mais de 15 mil ataques contra alvos iranianos em poucos dias.
Para especialistas, os DDoS já ultrapassaram a esfera técnica e se consolidaram como armas digitais de impacto global, capazes de afetar economias e até a segurança de Estados.
“O aumento do uso de IA e a velocidade das ofensivas mostram que as defesas tradicionais não bastam. As organizações precisam adotar estratégias mais inteligentes e adaptativas”, alertou Richard Hummel, diretor de inteligência de ameaças da Netscout.
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