Pesquisadores do Conselho de Pesquisa Médica do Reino Unido anunciaram a criação do organismo vivo com o DNA mais simplificado já produzido em laboratório. O feito, publicado em 1º de agosto na revista Science, representa uma das maiores reescritas genéticas já realizadas.
A equipe desenvolveu uma versão sintética da bactéria Escherichia coli, batizada de Syn57, cujo genoma opera com apenas 57 códons – as combinações de três letras (A, T, G e C) que instruem a produção de proteínas em todos os seres vivos.
Normalmente, a vida utiliza 64 códons. Muitos, porém, são redundantes ou trazem instruções de parada que acabam inutilizando trechos de DNA. Ao remover parte dessas duplicações e substituí-las por sinônimos funcionais, os cientistas conseguiram enxugar o código genético sem comprometer a sobrevivência da bactéria.
Uma reescrita monumental
Para chegar ao Syn57, foram recodificados mais de 101 mil trechos de DNA em um genoma sintético de quatro megabases. O projeto foi dividido em 38 fragmentos, montados em leveduras antes de serem introduzidos nas bactérias.
Durante os testes, alguns genes apresentaram dificuldades de crescimento. A solução exigiu ajustes finos, como a troca de códons e a reconstrução de regiões sobrepostas, até estabilizar a nova linhagem.
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O DNA mais enxuto e mais útil
A Syn57 supera o marco anterior da Syn61, criada com 61 códons. A redução abre espaço para a incorporação de aminoácidos não naturais, capazes de originar polímeros inéditos e expandir a capacidade de síntese de moléculas.
Além disso, por adotar um código genético alternativo, a bactéria se torna resistente a infecções virais, já que vírus não conseguem “ler” suas instruções. O recorte também funciona como barreira de biossegurança: a Syn57 não troca material genético com bactérias naturais, evitando a disseminação de modificações no ambiente.
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Perspectivas para a biologia sintética
O avanço sugere que a reescrita completa de genomas pode explorar caminhos que a evolução natural jamais alcançaria. Para a indústria, o impacto pode ser enorme: desde a produção mais segura de medicamentos e enzimas até a criação de novos materiais biológicos.
“Syn57 abre um espaço inédito para expandir o código genético e reinventar a biologia”, afirmaram os autores do estudo em comunicado.
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