A polinização, etapa essencial para o cultivo agrícola, está ganhando um aliado inesperado: robôs controlados por inteligência artificial. Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram um sistema que combina engenharia genética e automação para substituir parte do trabalho manual e natural na produção de alimentos como tomates e soja.
O projeto, chamado GEAIR (Genome Editing with Artificial-Intelligence-based Robots), foi detalhado na revista Cell e já é apontado como uma revolução na forma de conduzir cultivos híbridos. A proposta é simples na teoria, mas ambiciosa na prática: adaptar geneticamente as flores para facilitar a polinização realizada por braços robóticos 24 horas por dia.
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Flores redesenhadas para máquinas
De acordo com o pesquisador Xu Cao, líder do estudo, só a polinização manual responde por mais de 25% do custo de produção de tomates frescos na China. Além disso, etapas como a emasculação — remoção das partes masculinas da flor para evitar a autopolinização — chegam a representar 40% da carga de trabalho.
Para superar esse desafio, a equipe usou a ferramenta CRISPR-Cas9 e alterou genes ligados ao desenvolvimento floral, criando plantas macho-estéreis com estruturas mais acessíveis aos robôs. “Demos um verdadeiro makeover nas flores para as máquinas”, resumiu Xu.
Do campo para o futuro
Com essa modificação, braços robóticos equipados com sistemas de aprendizado de máquina conseguem identificar flores prontas para polinização e realizar a tarefa de forma tão eficiente quanto os humanos — mas sem pausas. O método também resolve uma limitação histórica da soja, cujas flores fechadas dificultam o cruzamento natural e limitam ganhos de produtividade de até 30%.
Ao lado de outras técnicas de aceleração de cultivo, como o speed breeding (crescimento acelerado por ciclos de luz) e o domestication (introdução rápida de características de plantas selvagens), o GEAIR promete encurtar o tempo de desenvolvimento de novas variedades agrícolas.
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Impacto no mercado
Os primeiros resultados já mostram tomates com sabor mais intenso e maior resistência a variações ambientais, além de avanços semelhantes em plantações de soja. Para os cientistas, o modelo de “co-design planta–robô” inaugura uma nova fase da agricultura, em que engenharia genética e inteligência artificial caminham juntas para baratear custos, aumentar a produtividade e tornar a produção mais sustentável.
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