A oposição de direita promoveu mais de 30 horas de obstrução no Congresso Nacional em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), determinada pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. A mobilização começou na terça-feira (5) e envolveu revezamento noturno, parlamentares acampados nos plenários da Câmara e do Senado, orações e atos simbólicos.
Deputados e senadores exigiam a votação do chamado “pacote da paz”, que inclui a anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, o pedido de impeachment de Moraes e a proposta de emenda que põe fim ao foro privilegiado.
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No Senado, o senador Magno Malta (PL-ES) se acorrentou à Mesa Diretora e disse que só deixaria o local após a votação das pautas. Na Câmara, parlamentares usaram fitas na boca e passaram a noite em revezamento para manter a ocupação. A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) chegou a levar sua filha de quatro meses ao plenário, o que motivou críticas da base governista e o anúncio de que o caso será encaminhado ao Conselho Tutelar.
Enquanto o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), optou por esvaziar a mobilização presencial convocando uma sessão on-line para esta quinta-feira (7), o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), adotou postura mais dura: ameaçou suspender por seis meses os deputados que persistissem na paralisação.
Após reuniões emergenciais com líderes partidários e articulação de siglas do Centrão, como PP e União Brasil, Motta conseguiu retomar sua cadeira e, em um gesto simbólico, abriu a sessão da Câmara — sem votações — na noite de quarta-feira (6). Gritos e protestos marcaram a retomada dos trabalhos.
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Nos bastidores, houve sinalização política favorável à tramitação dos projetos exigidos pela oposição, o que foi interpretado como vitória pelo grupo. “Vamos continuar até pautar a anistia”, disse o deputado Zucco (PL-SC), que divulgou vídeo com colegas tomando café com pão de queijo durante a ocupação.
Apesar do fim da obstrução, os desdobramentos políticos permanecem em aberto. O Centrão atuou como mediador da crise, indicando que os temas exigidos pela oposição poderão avançar — ainda que sem compromisso formal — nas próximas semanas.
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