O presidente da Comissão de Agricultura e Pecuária da Câmara dos Deputados, Rodolfo Nogueira (PL-MS), afirmou que o agronegócio brasileiro está disposto a arcar com prejuízos decorrentes do tarifaço imposto pelos Estados Unidos para garantir a anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi dada em entrevista ao Contexto Metrópoles, em meio à crise diplomática provocada pela taxação de 50% sobre produtos do setor.
Segundo Nogueira, que também é produtor rural e dirigente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o agro “está cada vez mais unido em torno do nosso presidente Bolsonaro”, mesmo diante da nova barreira comercial imposta por Washington. “Do que adianta exportar, ganhar dinheiro e perder a liberdade?”, questionou o deputado. “Vamos sofrer, mas estamos dispostos a isso.”
A taxação afeta 82% das exportações agrícolas brasileiras para os Estados Unidos. Apesar disso, o parlamentar minimizou o impacto econômico, atribuindo maior importância à pauta da anistia, atualmente em discussão no Congresso Nacional.
Para ele, a medida anunciada pelo ex-presidente Donald Trump estaria diretamente ligada à situação jurídica de Bolsonaro, e a eventual aprovação da anistia poderia influenciar na reversão das sanções. “O Trump adiou por mais seis dias o início da taxação, e eu creio que esse é um prazo para o Brasil apresentar uma proposta de negociação quanto a isso”, afirmou.
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Críticas ao STF e ao governo Lula
Durante a entrevista, Nogueira também atacou o Supremo Tribunal Federal (STF), acusando o ministro Alexandre de Moraes de promover uma “perseguição implacável” à direita brasileira. Segundo o deputado, há um “racha” entre os ministros da Corte e uma tensão crescente com o Planalto. “Existe uma rixa pessoal do ministro com o presidente Bolsonaro e sua família”, disse.
O parlamentar defendeu o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado por membros do STF de atuar contra a soberania nacional ao incentivar o tarifaço. “Imputar a ele a culpa é uma insanidade. Ele está defendendo a liberdade e sua família”, declarou.
Ao comentar a postura do governo federal, Rodolfo Nogueira responsabilizou o presidente Lula pela crise diplomática com os Estados Unidos. “Lula chamou Trump de nazista, falou em substituir o dólar, se alinhou a países inimigos. Estamos colhendo o que esse anão diplomático plantou”, disparou.
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Setor agropecuário dividido?
Apesar da crise e da taxação sobre a carne — que afeta diretamente o setor de pecuária, do qual o próprio deputado faz parte —, Nogueira negou que o apoio do agro à direita esteja ameaçado. “A direita não vai perder o apoio do agro nas eleições de 2026 por conta do tarifaço”, afirmou.
O deputado também criticou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, por, segundo ele, não ter se posicionado em defesa do setor nas negociações internacionais. “Há uma inércia do Ministério da Agricultura. O ministro está devendo uma postura firme.”
A crise envolvendo a relação Brasil-EUA, STF e o agronegócio segue se desenrolando em ritmo acelerado, com impacto direto na economia, nas exportações e no ambiente político às vésperas das eleições de 2026.
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