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quarta-feira, setembro 16, 2026

Disputa por tesouro escondido no fundo do Atlântico pode redefinir o papel do Brasil no cenário global

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Uma vasta formação submersa localizada a mais de mil quilômetros da costa brasileira, na altura do Rio Grande do Sul, pode reposicionar o Brasil como protagonista no mercado global de minerais estratégicos. A Elevação do Rio Grande, como é chamada a estrutura, tem dimensões equivalentes às da Espanha e guarda em seu interior recursos cobiçados pelas principais potências mundiais — o que já despertou o interesse dos Estados Unidos.

Geólogos brasileiros acreditam que, há milhões de anos, a elevação fez parte do continente sul-americano e possivelmente já emergiu como uma ilha tropical. Hoje, porém, ela está entre 700 e 5 mil metros de profundidade no fundo do oceano Atlântico Sul. Apesar disso, as rochas e os sedimentos encontrados na região sustentam a tese de que a estrutura possui uma conexão geológica direta com o território brasileiro — argumento essencial para que o Brasil consiga incorporar legalmente a área ao seu território marítimo.

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Desde 2018, o Brasil reivindica junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental da ONU a extensão de sua soberania sobre a Elevação do Rio Grande. O reconhecimento garantiria ao país o direito exclusivo de exploração econômica dos recursos naturais ali existentes. Entre eles, estão elementos cruciais para a chamada transição energética, como cobalto, níquel, platina, selênio e terras raras — fundamentais para a produção de turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, componentes eletrônicos e superímãs industriais.

No entanto, o processo enfrenta desafios geopolíticos relevantes. Embora ainda esteja pendente uma decisão das Nações Unidas sobre o pleito brasileiro, os Estados Unidos já sinalizaram interesse na área. Em julho de 2025, o encarregado de negócios da embaixada americana no Brasil, Gabriel Escobar, reconheceu publicamente o valor estratégico dos minerais presentes na formação submersa. O impasse se agrava pelo fato de os EUA não serem signatários da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar — o que pode abrir margem para tentativas unilaterais de exploração, mesmo sem aval internacional.

A movimentação americana acendeu um alerta em Brasília. Caso o Brasil perca o controle sobre a Elevação do Rio Grande, o país deixará escapar uma oportunidade de ouro para reduzir a dependência externa de insumos estratégicos e fortalecer sua posição em cadeias globais de valor ligadas à energia limpa e tecnologia de ponta.

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O debate, agora, ganha contornos não apenas econômicos, mas também ambientais e diplomáticos. Avançar sobre a região exigirá cautela e responsabilidade com o ecossistema marinho, ao mesmo tempo em que pressiona o Brasil a reforçar sua presença e influência sobre a chamada “Amazônia Azul” — uma das maiores zonas econômicas exclusivas do planeta.

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