Um dos anticoncepcionais injetáveis mais usados no mundo, o Depo-Provera, está sendo questionado judicialmente nos Estados Unidos por suposta relação com o surgimento de meningiomas — um tipo de tumor que afeta as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Estudos recentes apontam que o uso prolongado do medicamento pode estar associado a um aumento significativo no risco da doença.
O princípio ativo do Depo-Provera é o acetato de medroxiprogesterona, hormônio sintético administrado por injeção a cada três meses como método contraceptivo. Embora esteja disponível há décadas e seja amplamente adotado por milhões de mulheres, evidências científicas recentes reacenderam o debate sobre a segurança do produto.
Pesquisas divulgadas em publicações internacionais vêm reforçando a preocupação. Um estudo publicado em julho na revista Expert Opinion on Drug Safety revelou que mulheres que usaram o anticoncepcional injetável apresentaram uma probabilidade maior de desenvolver meningioma em comparação com usuárias de métodos orais.
Outro estudo, divulgado em março pelo British Medical Journal, indicou que o risco pode aumentar em até cinco vezes entre as mulheres que utilizaram o acetato de medroxiprogesterona por um período igual ou superior a um ano. Já uma análise feita pela Universidade do Alabama, em setembro de 2024, constatou que a forma injetável do hormônio esteve ligada a um aumento de 53% na chance de aparecimento do tumor — relação não observada na versão oral da substância.
++ Réu de trama golpista diz ao STF que convenceu filha de que Bolsonaro não é racista
O meningioma é um tumor que se origina nas meninges e, apesar de geralmente ser benigno, pode causar impactos severos dependendo de sua localização e tamanho. Convulsões, déficits cognitivos, distúrbios visuais e até AVC são algumas das possíveis consequências. O tumor é mais comum em mulheres e costuma aparecer entre os 40 e 60 anos de idade.
As descobertas levaram à abertura de dezenas de processos contra a farmacêutica Pfizer, responsável pelo Depo-Provera. Muitos pacientes relatam ter desenvolvido sintomas neurológicos graves após o uso do medicamento, como AVCs e dificuldades cognitivas. Alguns casos envolvem tumores inoperáveis.
O advogado Chris Paulos, que representa parte dos demandantes, afirmou à revista People que a extensão dos danos relatados e a duração do uso justificam não apenas as ações individuais, mas também um processo coletivo. “Temos clientes que passaram por situações extremas e lidam com sequelas permanentes”, relatou.
Procurada, a Pfizer preferiu não comentar os estudos citados, mas reiterou sua confiança na segurança do anticoncepcional. Em nota enviada ao Metrópoles, a empresa afirmou que o Depo-Provera continua sendo uma opção importante de controle reprodutivo e que sua bula contempla todos os possíveis efeitos adversos, em conformidade com as exigências de órgãos reguladores no Brasil e no exterior.
++ Eduardo Bolsonaro ironiza erro de português em decisão de Alexandre de Moraes
Apesar da defesa da fabricante, a polêmica reacende o debate sobre o uso prolongado de hormônios sintéticos e os limites da segurança farmacológica em produtos de uso contínuo. A recomendação de especialistas é que mulheres que utilizam o medicamento discutam os riscos com seus médicos, especialmente em casos de histórico familiar de tumores ou sintomas neurológicos incomuns.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



