De volta a Brasília após uma rápida viagem a Portugal, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou as críticas ao Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira (23) e cobrou do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que coloque em pauta um novo pedido de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes. A ofensiva ocorre no mesmo dia em que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi alvo de uma operação da Polícia Federal e teve medidas cautelares impostas por decisão do ministro do STF, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica e restrições à comunicação pública.
Flávio afirma que o Senado tem o dever de analisar a proposta de afastamento, que, segundo ele, foi formulada com base jurídica robusta. “O que se espera de um presidente do Senado é que não engavete esse tipo de pedido, mas o leve ao plenário para que seja votado democraticamente”, disse o parlamentar ao chegar ao aeroporto da capital federal.
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Apesar da cobrança, Alcolumbre já manifestou anteriormente que não pretende avançar com processos de impeachment contra ministros do Supremo, posição que irrita setores bolsonaristas e é apontada por Flávio como sintoma de uma “paralisia institucional”.
A movimentação ocorre em meio a tensões crescentes entre Judiciário e Legislativo, ampliadas por relatos de que os presidentes do Senado e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), estariam na mira de possíveis sanções internacionais, a exemplo das já adotadas contra Moraes. A informação, que circula nos bastidores, sugere que os dois congressistas poderiam ter seus vistos para os Estados Unidos revogados em reação às decisões do STF relacionadas a Bolsonaro.
Para Flávio, o possível desgaste externo pode comprometer a agenda da oposição no Congresso, que inclui propostas para conter a atuação do Judiciário e aprovar uma anistia ampla. Ele também alertou que a falta de abertura ao diálogo pode provocar novas respostas por parte do governo americano. “Defendo a conversa, mas a intransigência em torno da blindagem ao Moraes pode desencadear mais reações. Não está sob nosso controle o que virá de fora”, declarou o senador.
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Com o cenário político em ebulição, Flávio Bolsonaro tenta reposicionar o debate sobre os limites entre os Poderes, apostando na pressão popular e no discurso contra o ativismo judicial como forma de mobilizar aliados e manter o tema no centro das atenções legislativas.
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