A morte de Ozzy Osbourne, aos 76 anos, não encerra apenas a trajetória de um ícone do heavy metal — também reacende uma antiga curiosidade da ciência: como o cantor sobreviveu a décadas de abuso severo de álcool e drogas sem colapsar fisicamente? A resposta pode estar no seu DNA.
Em 2010, o britânico se tornou alvo de uma análise genética conduzida pela empresa americana Knome Inc., em colaboração com a Cofactor Genomics. O objetivo era compreender a impressionante resistência de Ozzy a substâncias químicas que, em geral, causam danos irreversíveis ou até fatais em muitos indivíduos. O resultado surpreendeu até os cientistas: o cantor apresentava mutações genéticas extremamente raras, algumas jamais registradas antes em estudos clínicos.
Uma das mutações mais notáveis estava localizada próxima ao gene ADH4, que atua na produção de enzimas envolvidas na metabolização do álcool. Essa variação pode ter permitido a Ozzy processar bebidas alcoólicas com uma eficiência muito superior à média. Além disso, foram detectadas alterações em genes associados ao funcionamento da dopamina — neurotransmissor que regula o prazer e está diretamente relacionado à dependência química.
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Essas características genéticas não apenas ajudariam a explicar sua alta tolerância às drogas, como também sua propensão ao vício e ao comportamento impulsivo, ambos amplamente documentados ao longo de sua carreira. Durante a apresentação dos resultados no evento TEDMED, Ozzy participou da discussão, tornando-se, possivelmente, o primeiro astro do rock a ter o genoma publicamente explorado por razões científicas.
Os especialistas, no entanto, reforçaram que a genética, por si só, não determina o destino de um indivíduo. Fatores ambientais, emocionais e sociais também têm peso significativo na formação de quadros de dependência e nas consequências de hábitos autodestrutivos. Mesmo assim, o caso de Ozzy Osbourne ilustra como o mapeamento genético pode oferecer respostas valiosas para casos extremos de tolerância a substâncias tóxicas — e até inspirar futuras abordagens no tratamento de vícios.
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O “príncipe das trevas”, como era conhecido, deixa não apenas um legado musical, mas também um enigma biológico que ajuda a ampliar os horizontes da ciência sobre o comportamento humano e os limites da resistência do corpo.
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