Um estudo recente revelou que o tubarão-azul (Prionace glauca) pode ter uma habilidade até então desconhecida: a de mudar de cor conforme o ambiente. Pesquisadores da Universidade da Cidade de Hong Kong descobriram que a pele do animal possui estruturas nanoscópicas que, ao interagirem com a luz, permitem a variação da tonalidade – um mecanismo comparável ao dos camaleões.
Apresentada na Conferência Anual da Society for Experimental Biology, realizada em julho em Antuérpia, na Bélgica, a pesquisa mostrou que a cor azul característica do tubarão não é apenas resultado de pigmentação, mas da interação entre cristais de guanina, que refletem luz azul, e vesículas com melanina, que absorvem outros comprimentos de onda. Esses elementos estão organizados nos chamados dentículos dérmicos – pequenas escamas que revestem a pele do animal.
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De acordo com a pesquisadora Viktoriia Kamska, responsável pelo estudo, o segredo está no espaçamento entre essas camadas cristalinas. “É como se fossem pequenos sacos cheios de espelhos e de filtros escuros trabalhando juntos. Alterando ligeiramente a distância entre eles, conseguimos diferentes cores”, explicou.
Simulações computacionais indicaram que, sob certas condições ambientais – como variações de pressão ou umidade –, a pele do tubarão pode assumir tonalidades que vão do azul ao verde e até ao dourado. Isso pode funcionar como um mecanismo de camuflagem em diferentes profundidades, ajudando o animal a escapar de predadores ou a surpreender presas.
O professor Mason Dean, coautor do estudo, destacou que a combinação entre estrutura refletora e absorvente em um único tecido biológico é algo inédito no mundo marinho. “Esse tipo de solução multifuncional abre portas para avanços em engenharia bioinspirada, como a criação de materiais sustentáveis que dispensam pigmentos sintéticos”, afirmou.
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Além da possibilidade de mudança de cor, a pele do tubarão-azul já é conhecida por suas propriedades hidrodinâmicas e antifouling – ou seja, sua capacidade de evitar o acúmulo de organismos marinhos. Com essa nova descoberta, os cientistas esperam contribuir tanto para o entendimento da biologia marinha quanto para o desenvolvimento de novas tecnologias com base em soluções naturais.
A linhagem azul do tubarão continua rara entre os animais, mas agora sabemos que, além de bela, ela é também engenhosamente complexa.
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