Pesquisadores soam o alerta para o avanço de uma nova cepa da Salmonella Typhi, bactéria responsável pela febre tifoide, que está se tornando cada vez mais resistente aos antibióticos disponíveis. Segundo especialistas, a rápida propagação da variante e sua crescente resistência medicamentosa podem desencadear novos surtos da doença nos próximos anos, inclusive fora das regiões onde ela é mais comum.
A febre tifoide é uma infecção bacteriana grave, transmitida principalmente por meio de água e alimentos contaminados, sendo prevalente em áreas com saneamento básico precário. Embora a maioria dos casos continue concentrada no Sul da Ásia — região que responde por cerca de 70% das ocorrências — a ameaça começa a se espalhar para outros continentes.
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Nas últimas décadas, os medicamentos usados para tratar a infecção vêm perdendo eficácia. Atualmente, a azitromicina é o único antibiótico ainda efetivo contra a bactéria, mas especialistas alertam que sua utilidade pode estar com os dias contados.
Um estudo internacional analisou 3.489 genomas da Salmonella Typhi coletados entre 2014 e 2019 em países como Índia, Nepal, Paquistão e Bangladesh. Os resultados mostram um aumento expressivo na presença de cepas com múltiplas resistências. Além disso, foram registrados casos isolados da nova variante no Reino Unido, Estados Unidos e Canadá — o que demonstra seu potencial de disseminação global.
“A rapidez com que essas cepas altamente resistentes estão surgindo e se espalhando é motivo real de preocupação. Isso exige uma resposta urgente para ampliar as medidas de prevenção”, alerta Jason Andrews, especialista em doenças infecciosas da Universidade de Stanford.
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A febre tifoide ainda representa um grave desafio de saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima 20 milhões de novos casos por ano em todo o mundo, com até 161 mil mortes anuais — principalmente entre crianças, idosos e pessoas desnutridas.
Embora exista uma vacina eficaz contra a doença, a cobertura ainda é desigual. O Paquistão, por exemplo, já adotou campanhas nacionais de imunização, mas especialistas avaliam que apenas a ampliação do acesso à vacina, especialmente em regiões vulneráveis, poderá conter a disseminação de cepas resistentes e evitar uma crise sanitária global.



