O Banco Central suspendeu preventivamente seis instituições financeiras que, segundo as investigações, teriam recebido parte dos recursos desviados no ataque hacker que drenou ao menos R$ 541 milhões da BMP Money Plus. A ação, considerada o maior ataque cibernético do sistema financeiro brasileiro, mobiliza a Polícia Civil de São Paulo e a Polícia Federal.
Na última sexta-feira (5), o BC confirmou a suspensão de mais três instituições: Voluti Gestão Financeira, Brasil Cash e S3 Bank. Elas se somam às outras três que já estavam com operações limitadas: Transfeera, Nuoro Pay e Soffy. As suspensões são válidas por 60 dias, prazo que pode ser prorrogado ou encerrado, conforme o avanço das investigações.
De acordo com o Banco Central, a medida tem como objetivo preservar a integridade do sistema de pagamentos. “A autoridade monetária pode suspender, a qualquer tempo, a participação no Pix de instituições cuja conduta coloque em risco o funcionamento do sistema”, explicou o órgão.
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Empresas se defendem
As fintechs afetadas negam envolvimento direto no golpe. A Transfeera afirmou que apenas os serviços via Pix foram suspensos e que suas operações seguem normalmente. A empresa alega não ter sido alvo do ataque e diz colaborar com as investigações.
A Nuoro Pay também divulgou nota afirmando cumprir as normas do BC e manter diálogo aberto com as autoridades. Já a Soffy, apontada como destinatária de aproximadamente R$ 270 milhões desviados, ainda não se manifestou.
O golpe
O ataque hacker ocorreu por meio de um esquema conhecido como “Supply Chain”, quando criminosos infiltram-se em empresas que atuam como intermediárias de dados sensíveis entre instituições financeiras. No caso, o alvo foi a C&M Software, responsável pela comunicação entre bancos e o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), incluindo o ambiente do Pix.
Segundo a Polícia Civil paulista, o golpe envolveu o funcionário da C&M João Nazareno Roque, de 48 anos, que confessou ter permitido o acesso ao sistema da empresa a partir do próprio computador, em troca de R$ 15 mil. Ele foi preso no dia 3 de julho.
Relatórios iniciais estimam que o golpe tenha movimentado cifras entre R$ 1 bilhão e R$ 3 bilhões, embora o número confirmado até agora seja o prejuízo da BMP, de R$ 541 milhões.
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Quem mais foi atingido
Além da BMP, outras instituições financeiras admitiram ter sido impactadas: Banco Paulista, Credsystem e Banco Carrefour. A suspeita é de que 79 pessoas tenham recebido parte do dinheiro desviado — quatro delas, sozinhas, teriam sido beneficiadas com mais de R$ 100 milhões.
As investigações continuam, e a expectativa é de que novos desdobramentos revelem a extensão do prejuízo e a possível atuação de uma rede criminosa especializada.
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