O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu, nesta quinta-feira (3), a presidência rotativa do Mercosul com a meta de destravar acordos comerciais estratégicos para o bloco, especialmente com a União Europeia e os Emirados Árabes Unidos. A liderança brasileira se inicia após a gestão da Argentina, comandada por Javier Milei — um dos principais opositores de Lula na região.
Lula chegou a Buenos Aires na quarta-feira (2), onde participou da Cúpula de Presidentes do Mercosul. O governo brasileiro quer usar sua passagem pela presidência do bloco como uma vitrine para fortalecer a imagem do país no cenário global e ampliar sua presença no comércio internacional.
Entre janeiro e maio de 2025, o comércio do Brasil com os países do Mercosul movimentou US$ 17,5 bilhões, com superávit de US$ 3 bilhões. Os setores automotivo, de mineração e alimentos processados lideram as exportações. A ideia agora é expandir as negociações, incluindo setores como o açucareiro.
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Acordo com a União Europeia é prioridade
O principal objetivo da presidência brasileira será viabilizar a ratificação do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, cujas negociações técnicas já foram encerradas. O desafio agora está nas mãos dos Parlamentos dos países europeus, que precisam aprovar o tratado antes de sua assinatura definitiva.
Lula espera que o texto seja aprovado até outubro, para que o acordo possa ser formalizado até dezembro, quando o Brasil deixa a presidência do bloco. A expectativa é de que o tratado represente um impulso bilionário nas trocas comerciais entre as regiões, com impacto estimado de R$ 3,34 bilhões nas exportações brasileiras.
Negociações com os Emirados Árabes e novos horizontes
Além da União Europeia, o Brasil também pretende acelerar o diálogo com os Emirados Árabes Unidos. As conversas ainda estão em estágio inicial, mas o Itamaraty acredita que é possível avançar até o fim do ano. O objetivo é ampliar o número de parceiros econômicos fora do eixo tradicional e diversificar os destinos dos produtos sul-americanos.
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Avanços recentes e entraves históricos
Durante a presidência da Argentina, o Mercosul finalizou um acordo com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), formada por Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein. No ano passado, também foi fechado um pacto de livre-comércio com Singapura, que prevê a eliminação de tarifas para produtos do bloco.
Por outro lado, o acordo com a União Europeia enfrenta resistência de países como França, Irlanda e Espanha, principalmente em razão de preocupações ambientais e impactos sobre a agricultura local. Um estudo francês apontou riscos econômicos para os produtores rurais do país, o que gerou pressões internas no Parlamento Europeu.
As discussões se arrastam há mais de duas décadas. Apesar de avanços durante o governo Michel Temer, as negociações perderam força durante a gestão de Jair Bolsonaro, marcada por embates diplomáticos com líderes europeus.
Agora, com Lula no comando do bloco, o Brasil tenta reconquistar espaço político e econômico no cenário internacional, apostando em diplomacia ativa e em acordos que prometem transformar a dinâmica comercial do Mercosul.
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