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quarta-feira, setembro 16, 2026

Juiz que usou nome falso por 40 anos volta a receber salário após apresentar novo documento

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O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) voltou a pagar o salário do juiz aposentado José Eduardo Franco dos Reis, que usou por mais de 40 anos a identidade falsa de Edward Albert Lancelot Dodd-Canterbury Caterham Wickfield, fingindo ser descendente de nobres britânicos.

Segundo o TJSP, os pagamentos haviam sido suspensos em abril porque o CPF do magistrado estava com pendências judiciais. No entanto, após ele apresentar documentos com seus dados reais, o cadastro foi regularizado, e os salários voltaram a ser depositados. Em março, ele recebeu mais de R$ 132 mil líquidos. Os dados de junho ainda não foram atualizados no Portal da Transparência.

O tribunal destacou que a correção do nome se refere exclusivamente à regularização cadastral, mas confirmou que há um processo criminal por falsidade ideológica e um procedimento administrativo na Corregedoria Geral de Justiça — ambos sob sigilo.

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Caso Edward

Nascido em Águas da Prata (SP), José Eduardo, de 67 anos, construiu uma vida sob o nome fictício, inspirado em referências literárias inglesas e histórias da realeza britânica. Com a identidade forjada, ele entrou na Faculdade de Direito da USP, se formou, passou em concurso público e exerceu a magistratura até 2018.

A farsa começou a ruir em 2024, quando ele tentou tirar uma segunda via do RG no Poupatempo com a certidão de nascimento falsa. As impressões digitais coletadas revelaram que ele era, na verdade, José Eduardo Franco dos Reis, e não Edward Albert. A Polícia Civil então abriu investigação, e o Ministério Público o denunciou por uso de documentos falsos.

Além do RG, o ex-juiz também possuía CPF, título de eleitor e passaporte emitidos com o nome fictício. Segundo o MP, ele chegou a deixar o país usando o passaporte forjado após o caso vir à tona.

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Defesa alega transtorno psicológico

A defesa do ex-magistrado afirma que ele sofre de Transtorno de Personalidade Esquizóide (TPE), desencadeado por frustrações pessoais e a tentativa de “renascer como outra pessoa”. Os advogados pedem a instauração de um incidente de insanidade mental.

Apesar da gravidade dos atos, os defensores alegam que José Eduardo não obteve vantagens ilícitas, pois passou em concursos públicos e construiu a carreira com base em mérito próprio — ainda que sob identidade falsa.

A história bizarra, recheada de elementos literários e surrealismo jurídico, ganhou destaque até na imprensa internacional e segue sendo investigada pelo TJSP e pelo Ministério Público.

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