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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas criam bactéria capaz de transformar plástico em remédio

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Uma descoberta feita no Reino Unido promete revolucionar o combate à poluição plástica e ainda mudar a forma como produzimos medicamentos. Pesquisadores da Universidade de Edimburgo conseguiram modificar geneticamente a bactéria Escherichia coli para transformar resíduos de plástico PET — o mesmo usado em garrafas de refrigerante — em paracetamol, um dos analgésicos mais consumidos no mundo.

O estudo, publicado nesta segunda-feira (23) na revista científica Nature Chemistry, mostra que o processo é rápido, eficiente e sustentável. Em vez de depender de combustíveis fósseis, como acontece na produção tradicional do medicamento, os cientistas conseguiram criar o princípio ativo do paracetamol a partir de um material considerado lixo ambiental.

O procedimento começa com a quebra química do plástico, gerando moléculas menores que são, em seguida, processadas pelas bactérias geneticamente modificadas. Em até 24 horas, dentro de um ambiente de laboratório e sem a necessidade de temperaturas extremas, a E. coli realiza uma conversão com taxa de eficiência impressionante: cerca de 92%.

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Para tornar tudo possível, os pesquisadores adaptaram uma reação química conhecida como rearranjo de Lossen — descoberta em 1872 — para ocorrer dentro das células da bactéria. O resultado é um processo que une biotecnologia e química verde.

Segundo Stephen Wallace, coordenador da pesquisa, a ideia é ir além da produção de analgésicos. O método, segundo ele, pode ser ajustado futuramente para gerar outros compostos de interesse industrial e farmacêutico, aproveitando diferentes tipos de plástico.

“Esse trabalho mostra que o PET pode deixar de ser apenas um resíduo poluente para se transformar em algo de alto valor, como um medicamento”, destacou Wallace.

A iniciativa surge como uma resposta a dois desafios globais: a crise ambiental causada pelos mais de 350 milhões de toneladas de resíduos plásticos gerados anualmente e a busca por formas mais sustentáveis de produção de medicamentos.

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Embora os testes ainda estejam em fase de laboratório, os resultados abrem caminho para futuras aplicações em escala industrial, oferecendo uma solução dupla para o planeta: menos lixo e mais remédios produzidos de forma limpa.

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