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quarta-feira, setembro 16, 2026

Fungo que se alimenta de radiação pode ajudar a “limpar” Chernobyl e proteger astronautas

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Em meio aos escombros radioativos de Chernobyl, na Ucrânia, um tipo especial de fungo vem chamando a atenção da ciência: o Cladosporium sphaerospermum. Enquanto a radiação que persiste na área é mortal para a maioria das formas de vida, esse fungo preto parece não apenas resistir ao ambiente hostil, mas também prosperar nele.

A espécie foi observada crescendo nas paredes internas do reator 4, epicentro do maior desastre nuclear da história. Estudos indicam que o fungo é capaz de converter a radiação em energia para seu próprio crescimento, graças à presença de melanina — o mesmo pigmento que dá cor à pele humana, mas que, nesse caso, atua como uma espécie de “bateria biológica”.

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Uma forma de vida que se alimenta de radiação

O processo, conhecido como radiossíntese, é comparável à fotossíntese das plantas, mas com uma diferença fundamental: enquanto as plantas usam a luz solar, o C. sphaerospermum utiliza a radiação gama. Cientistas já demonstraram que o crescimento do fungo é mais rápido em ambientes com níveis elevados de radiação, reforçando o potencial do organismo como ferramenta natural de descontaminação.

Um estudo publicado em 2007 na revista PLOS ONE foi um dos primeiros a mostrar a aceleração do crescimento desse fungo em áreas radioativas, abrindo caminho para pesquisas mais aprofundadas sobre a capacidade dos chamados extremófilos — seres que sobrevivem a condições ambientais extremas.

Além do Cladosporium, outras espécies de fungos pretos, como Wangiella dermatitis e Cryptococcus neoformans, também apresentam essa capacidade, usando a melanina para transformar radiação em energia química.

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Aplicações que vão da Terra ao espaço

O interesse científico sobre esses fungos não se limita a Chernobyl. Experimentos realizados na Estação Espacial Internacional (ISS) testam a capacidade do C. sphaerospermum de proteger astronautas da radiação cósmica. Há inclusive estudos que avaliam seu uso como possível fonte de alimento em futuras missões espaciais de longa duração.

De volta ao solo, pesquisadores avaliam a viabilidade de usar o fungo em projetos de biorremediação para recuperar áreas contaminadas por radiação, tornando-as aptas novamente para atividades como agricultura. Uma análise recente apontou que milhares de hectares nas proximidades de Chernobyl podem, no futuro, voltar a ser utilizados para o cultivo, com o apoio de organismos como o Cladosporium.

Além da limpeza ambiental e da proteção espacial, a resistência genética desses fungos também desperta interesse na agricultura e na biotecnologia. Cientistas acreditam que entender melhor os mecanismos que tornam essas espécies tão resilientes pode levar a avanços na criação de plantas mais resistentes a ambientes extremos.

Enquanto a ciência segue avançando, o fungo que um dia foi visto apenas como uma curiosidade das zonas de exclusão nuclear agora desponta como uma possível solução para alguns dos maiores desafios ambientais e tecnológicos da atualidade.

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