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quarta-feira, setembro 16, 2026

Quando o amor toma conta do cérebro: o que a ciência já sabe sobre estar apaixonado

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Sentir o coração disparar, perder o foco e viver com os pensamentos ocupados por uma única pessoa são experiências comuns de quem está apaixonado. Para a neurociência, esses comportamentos estão longe de ser apenas poéticos — eles têm explicações químicas e estruturais no cérebro.

Leandro Freitas Oliveira, psicólogo e doutor em neurociências, explica que o início de um envolvimento amoroso desperta uma atividade intensa em diversas regiões cerebrais ligadas ao prazer, à motivação e ao vínculo afetivo. “A paixão é um fenômeno que bagunça o cérebro inteiro”, define o especialista, que também é professor da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Segundo ele, essa “bagunça” é comandada por uma combinação poderosa de hormônios e neurotransmissores. A dopamina, por exemplo, é liberada em grandes quantidades e provoca sensação de euforia, reforçando o desejo de estar com a pessoa amada. Já a ocitocina, associada ao toque, ao cheiro e à intimidade, aprofunda os laços e incentiva a conexão emocional. Outro elemento importante é a vasopressina, que reforça o comprometimento a longo prazo.

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Enquanto isso, os níveis de serotonina caem — o que pode explicar a impulsividade e a repetição obsessiva de pensamentos românticos. A adrenalina, por sua vez, está por trás das reações físicas clássicas: mãos suadas, pupilas dilatadas e aquele friozinho na barriga.

Imagens cerebrais feitas por ressonância magnética funcional revelam que, ao ver ou pensar na pessoa amada, há uma explosão de atividade no chamado sistema de recompensa do cérebro. É como se o organismo estivesse em busca constante de gratificação, o que explica os comportamentos intensos e, muitas vezes, irracionais durante essa fase.

“O córtex pré-frontal, que é a área mais ligada ao pensamento crítico, fica parcialmente inibido. Isso nos torna mais propensos a idealizar o outro, ignorar defeitos e tomar decisões impulsivas”, afirma Oliveira. A ausência da pessoa nem sempre é um obstáculo: lembranças, mensagens ou até um perfume podem disparar as mesmas reações neuroquímicas.

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De acordo com o professor, esse estado de encantamento muda a forma como interpretamos a realidade. “Estímulos visuais e sonoros parecem mais vívidos. A paixão ativa regiões cerebrais que intensificam nossa percepção e aumentam a disposição para correr riscos, explorar e criar”, explica.

Mas esse estado não é eterno. A ciência já sabe que a fase da paixão tem um tempo médio de duração: entre um ano e dois. Após esse período, o cérebro começa a buscar estabilidade e economia de energia. Isso não significa, no entanto, o fim do relacionamento. Se houver afeto e convivência contínua, hormônios como a ocitocina e a vasopressina passam a manter o vínculo de forma mais tranquila, dando origem ao amor duradouro.

“Com o tempo, a impulsividade cede espaço a uma conexão mais sólida. A paixão diminui, mas pode abrir caminho para um amor mais maduro e consciente”, conclui o neurocientista.

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