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quarta-feira, setembro 16, 2026

Lagarta transforma presas em armadura e desafia a ciência

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Nas florestas isoladas da ilha de Oahu, no Havaí, um comportamento incomum tem surpreendido os cientistas. Trata-se de uma lagarta do gênero Hyposmocoma que utiliza restos mortais de suas presas para montar uma espécie de “couraça móvel” — com cabeças de formigas, asas de mosca e abdomens de besouro entre os fragmentos mais usados. A tática, que mistura alimentação e disfarce, foi descrita em um estudo publicado recentemente na revista Science.

Conhecida pelos pesquisadores como “colecionadora de ossos”, a lagarta recorre a partes de cadáveres para criar uma cobertura que a ajuda a evitar predadores naturais, especialmente aranhas. “Esse comportamento era totalmente desconhecido até então”, afirmou o entomologista Daniel Rubinoff, um dos autores do artigo.

A primeira pista surgiu em 2008, durante uma expedição científica na região. Desde então, foram necessárias mais de 150 incursões no mesmo território para reunir 61 exemplares — todos concentrados em uma área de apenas 15 quilômetros quadrados.

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Em laboratório, os pesquisadores observaram que a lagarta não adota qualquer material ao acaso. Ela demonstra preferência clara por restos de insetos mortos, mesmo quando há detritos e folhas disponíveis. Esses fragmentos são costurados em uma estrutura de seda pegajosa, semelhante a um pequeno estojo cilíndrico, que a lagarta carrega como abrigo enquanto se move.

Esse “casaco” orgânico não serve apenas para proteção física, mas também atua como camuflagem visual e olfativa. É tão eficaz que, até agora, nenhum caso de ataque por aranhas foi registrado em indivíduos usando a armadura.

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Outro dado impressionante da pesquisa é a origem evolutiva do comportamento. Análises genéticas indicam que essa linhagem específica se separou de outras lagartas carnívoras do mesmo gênero há mais de cinco milhões de anos — um período anterior à própria formação geológica da ilha onde a espécie vive hoje.

Apesar da sofisticação do comportamento, o futuro da “colecionadora de ossos” é incerto. Com um território extremamente restrito e pressões crescentes de mudanças climáticas e espécies invasoras como formigas e vespas, os cientistas alertam que o tempo para garantir a sobrevivência dessa espécie singular pode estar se esgotando.

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