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quarta-feira, setembro 16, 2026

Uso de inteligência artificial em terapias preocupa psicólogos e entra na mira do Conselho Federal

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O avanço da inteligência artificial tem levado a novos usos da tecnologia, inclusive como ferramenta para simular sessões de terapia. Essa tendência, no entanto, acendeu um alerta no Conselho Federal de Psicologia (CFP), que anunciou a criação de um grupo de trabalho em 2024 para discutir o uso da IA com fins terapêuticos.

Embora cada vez mais sofisticadas, as IAs não pensam como seres humanos, explica Victor Hugo Albuquerque, especialista em engenharia de teleinformática da Universidade Federal do Ceará. Segundo ele, essas ferramentas são capazes de identificar padrões de fala, reconhecer tons e intenções, e prever palavras que devem vir em sequência. “Elas simulam diálogos humanos, mas não têm capacidade de raciocínio ou julgamento real”, afirma.

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Um artigo da revista Harvard Business Review revelou que, em 2025, os principais usos da IA incluem simulações de conversas terapêuticas e busca por companhia, seguidos por organização da vida pessoal, propósito e bem-estar. No Brasil, o CFP afirma receber consultas diárias sobre o uso de inteligência artificial no campo da psicologia.

A conselheira do CFP, Maria Carolina Roseiro, destaca que o maior risco está nos momentos de crise. “IAs podem ser úteis como diários ou para desabafos pontuais, mas não substituem o acolhimento profissional e ético de um psicólogo”, afirma. Além disso, ferramentas como o ChatGPT não foram criadas para fins terapêuticos e, por isso, não podem ser responsabilizadas por eventuais consequências negativas.

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Outro ponto de atenção está no risco à privacidade. Mesmo com políticas de anonimato e exclusão de dados, há o receio de que informações sensíveis possam ser armazenadas temporariamente e expostas em caso de falhas ou vazamentos. Em se tratando de saúde mental, isso pode trazer impactos graves.

O CFP defende que, se novas tecnologias forem usadas na psicologia, que isso aconteça de forma ética, com métodos reconhecidos e desenvolvidos por profissionais habilitados — que possam ser responsabilizados por sua atuação. Até lá, o uso de IA como substituto da terapia deve ser encarado com cautela, especialmente quando envolve questões emocionais complexas.

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