O ex-presidente do Uruguai José “Pepe” Mujica morreu nesta terça-feira (13), aos 89 anos, em Montevidéu. Ele enfrentava um câncer de esôfago em estágio avançado e, nos últimos meses, vinha recebendo cuidados paliativos para controle da dor.
A morte foi confirmada pelo atual presidente uruguaio, Yamandú Orsi, afilhado político de Mujica. Em uma rede social, Orsi lamentou: “É com profundo pesar que anunciamos o falecimento do nosso camarada Pepe Mujica. Presidente, ativista, referência e líder. Sentiremos muito a sua falta, querido velho. Obrigado por tudo o que nos deu e pelo seu profundo amor pelo seu povo”.
Mujica foi diagnosticado com a doença em maio de 2024 e passou por duas cirurgias entre setembro e dezembro do mesmo ano. Embora os procedimentos tenham sido bem-sucedidos, o câncer se espalhou para o fígado, agravando seu quadro clínico.
Em janeiro deste ano, o próprio Mujica reconheceu publicamente que estava morrendo. “Sou um velho que está muito perto de onde não se volta”, disse em discurso emocionado a poucos dias das eleições uruguaias.
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Uma vida dedicada à política e à simplicidade
Nascido em 20 de maio de 1935, em Montevidéu, Mujica começou sua trajetória política ainda jovem. Participou do grupo guerrilheiro Tupamaros durante os anos 1960 e 1970 e foi preso por 14 anos durante a ditadura militar uruguaia. Com a redemocratização do país, em 1985, foi libertado pela anistia.
Foi um dos fundadores da coalizão de esquerda Frente Ampla e, em 1994, elegeu-se deputado. Em seguida, assumiu uma cadeira no Senado e, mais tarde, o cargo de ministro da Agricultura, no governo de Tabaré Vázquez. Em 2005, casou-se oficialmente com a também ex-guerrilheira Lucía Topolansky, sua companheira de vida e de luta.
A presidência veio em 2010, quando Mujica assumiu o comando do país com um discurso simples e direto. Durante seu mandato, até 2015, o Uruguai legalizou a maconha, o aborto e o casamento entre pessoas do mesmo sexo — medidas que colocaram o pequeno país sul-americano na vanguarda de políticas sociais progressistas.
Mujica ficou conhecido mundialmente por seu estilo de vida austero. Recusou luxos e doações milionárias por seu famoso Fusca azul de 1987, que dirigia pessoalmente. Era frequentemente chamado de “o presidente mais pobre do mundo”, rótulo que sempre rejeitou, mas que o tornou ainda mais popular como símbolo da autenticidade na política.
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Apoio nas eleições e reconhecimento internacional
Mesmo longe dos cargos oficiais, Mujica seguiu influente. Nas eleições uruguaias de 2024, atuou ativamente na campanha de Orsi, que venceu o pleito e marcou o retorno da esquerda ao poder no país.
Em dezembro do mesmo ano, foi homenageado pelo presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul — a mais alta honraria concedida a estrangeiros pelo governo brasileiro. Lula o definiu como “a pessoa mais extraordinária” entre os presidentes com quem conviveu.
O governo do Brasil emitiu nota oficial lamentando a morte de Mujica e destacando seu papel como “um dos principais artífices da integração latino-americana e um dos mais importantes humanistas de nossa época”.
Legado
Após deixar a presidência, Mujica voltou ao Senado, onde permaneceu até 2020. Seu legado ultrapassa fronteiras: tornou-se uma figura admirada por jovens, ambientalistas e políticos progressistas ao redor do mundo. Sempre defendeu uma vida mais simples, o combate ao consumismo e a valorização da solidariedade.
Seu nome e sua trajetória seguem como referência ética e política para as gerações que acreditam em uma América Latina mais unida, justa e humana.
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