Uma nova pesquisa realizada na Austrália revelou que a vacina contra a herpes-zóster pode oferecer mais do que proteção contra as dolorosas erupções cutâneas causadas pelo vírus: ela também pode ajudar a reduzir os riscos de demência em idosos. O estudo foi publicado na revista científica JAMA e reforça a hipótese de que infecções virais podem desempenhar um papel no desenvolvimento do Alzheimer.
A teoria, conhecida como “hipótese viral”, sugere que certos vírus — entre eles os da família herpesvírus — poderiam estar ligados ao surgimento da demência. O varicela-zóster, que provoca a catapora e, mais tarde, a herpes-zóster, é um dos alvos dessa suspeita. A vacina impede a reativação do vírus ao reforçar o sistema imunológico, o que pode explicar seus efeitos positivos sobre o cérebro.
Para testar essa relação em larga escala, pesquisadores da Universidade de Stanford aproveitaram uma campanha pública de vacinação iniciada na Austrália em 2016. Adultos entre 70 e 79 anos foram imunizados gratuitamente, enquanto aqueles que completaram 80 anos pouco antes do lançamento da campanha não foram incluídos. Com isso, os cientistas conseguiram comparar grupos vacinados e não vacinados de forma natural, sem interferência direta no comportamento dos participantes.
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O estudo acompanhou mais de 100 mil pessoas durante um período médio de 7,4 anos. Ao fim desse tempo, os dados mostraram que apenas 3,7% dos vacinados desenvolveram demência, contra 5,5% no grupo que não recebeu a vacina. A diferença de 1,8 ponto percentual representa uma redução significativa no risco da doença.
Além disso, os pesquisadores analisaram outros fatores de saúde entre os grupos e constataram que não havia diferenças importantes no uso de serviços médicos ou na incidência de outras doenças crônicas — o que fortalece ainda mais os resultados.
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Um levantamento semelhante foi conduzido no País de Gales com números igualmente promissores: os vacinados apresentaram um risco 20% menor de desenvolver demência.
Diante desses achados, cresce o interesse em incluir a vacina contra a herpes-zóster em programas públicos de imunização. No Brasil, o Ministério da Saúde já avalia a possibilidade de incorporá-la ao calendário do Sistema Único de Saúde (SUS), especialmente para idosos.
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