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quarta-feira, setembro 16, 2026

Telescópio mais potente já criado revela face oculta e ameaçadora do Sol

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Uma nova imagem obtida pelo Telescópio Solar Daniel K. Inouye, no Havaí, levou os cientistas a um novo patamar de observação da nossa estrela. Capturada com um instrumento inédito chamado Filtro Sintonizável Visível (VTF), a fotografia mostra em detalhes nunca antes vistos as manchas solares — zonas de intensa atividade magnética — que cobrem a superfície do Sol.

O equipamento, fruto de mais de dez anos de desenvolvimento, foi projetado para construir uma espécie de radiografia tridimensional das camadas solares, revelando estruturas com precisão de até 10 quilômetros por pixel. Essa capacidade permite visualizar áreas instáveis, onde há maior chance de explosões solares e ejeções de massa coronal — fenômenos capazes de afetar diretamente as comunicações e sistemas elétricos na Terra.

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As imagens impressionantes foram produzidas durante os testes finais do VTF, que ocupa vários andares do observatório instalado no cume do vulcão Haleakalā, a 3 mil metros de altitude. O novo sistema permite filtrar a luz solar como se estivesse “sintonizando” diferentes cores, ou comprimentos de onda, para explorar o que ocorre entre as camadas da atmosfera da estrela. Essa filtragem acontece graças a um par de placas de vidro separadas por mícrons, capazes de interferir na passagem da luz, da mesma forma que fones de ouvido bloqueiam ruídos com ondas sonoras.

Segundo os cientistas envolvidos, o VTF funciona como o coração tecnológico do Telescópio Inouye. Com ele, foi possível capturar centenas de imagens em questão de segundos, que depois são combinadas em uma única composição tridimensional — recurso que permite estudar temperatura, pressão e campos magnéticos solares com nível de detalhe inédito.

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As manchas solares, observadas com precisão nessa nova imagem, funcionam como bloqueios magnéticos ao calor que sobe do núcleo solar, e por isso são mais escuras. Mesmo assim, continuam a emitir temperaturas superiores a qualquer forno construído na Terra. Essas regiões também são responsáveis por fenômenos como tempestades solares, que podem causar blecautes, falhas em satélites e afetar voos comerciais.

A atividade solar está atualmente em seu pico, conhecido como máximo solar, etapa do ciclo de 11 anos da estrela em que o número de manchas aumenta e os polos magnéticos se invertem. Para os cientistas, esse é o momento ideal para estudar os comportamentos mais extremos do Sol, e os primeiros dados do VTF já ajudam a decifrar antigos mistérios sobre sua dinâmica.

A pesquisa integra um esforço global que inclui missões como a Solar Orbiter, da ESA e da NASA, e a Sonda Solar Parker, primeira nave feita para se aproximar diretamente da superfície solar. O objetivo comum é um só: entender o clima espacial e como ele pode interferir cada vez mais em nossa vida cotidiana.

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