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quarta-feira, setembro 16, 2026

Bactéria no intestino pode estar acelerando casos de câncer em jovens

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Pesquisadores identificaram uma possível ligação entre uma toxina produzida por bactérias intestinais e o aumento expressivo de casos de câncer colorretal em pessoas com menos de 50 anos. O alerta vem de um estudo publicado recentemente na revista Nature, que reuniu dados de quase mil pacientes de 11 países.

O levantamento focou em mutações genéticas presentes nos tumores desses pacientes. Mais da metade das amostras apresentava alterações no DNA associadas à colibactina, uma substância produzida por algumas variantes da bactéria Escherichia coli, naturalmente encontrada no sistema digestivo humano.

Segundo os cientistas, essas mutações funcionam como uma espécie de “assinatura biológica”, indicando que a exposição à toxina pode ter ocorrido ainda na infância — em muitos casos, antes dos 10 anos de idade. Essa exposição precoce poderia acelerar o desenvolvimento do câncer, antecipando a manifestação da doença em décadas.

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“A pessoa que entra em contato com essa toxina quando criança pode desenvolver câncer aos 40 anos, em vez dos 60”, explicou Ludmil Alexandrov, pesquisador da Universidade da Califórnia em San Diego, um dos autores do estudo.

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram que o câncer de intestino foi responsável por cerca de 20 mil mortes no Brasil em 2019. Embora historicamente associado ao envelhecimento, o número de diagnósticos em adultos jovens tem aumentado de forma preocupante, e cientistas buscam entender as causas desse fenômeno.

Estudos anteriores já haviam apontado o papel de hábitos modernos, como dietas pobres em fibras, consumo de ultraprocessados e sedentarismo. Agora, o foco se volta também para fatores ambientais e biológicos que atuam ainda nos primeiros anos de vida.

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O estudo também observou que mutações ligadas à colibactina foram mais de três vezes mais frequentes em pacientes diagnosticados antes dos 40 anos do que naqueles com mais de 70. Entre os mais velhos, os danos genéticos pareciam estar mais associados ao processo natural de envelhecimento.

Apesar das evidências, os pesquisadores destacam que ainda são necessárias mais investigações para entender como a colibactina atua no organismo e de que forma sua ação pode ser evitada. A equipe também pretende avaliar se fatores específicos de cada país influenciam na variação dos casos, o que poderia levar a estratégias de prevenção mais eficazes e regionais.

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