Pela primeira vez, o Brasil conta com um medicamento aprovado especificamente para tratar os estágios iniciais do Alzheimer. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) deu sinal verde para a entrada do Kisunla, formulação desenvolvida pela farmacêutica Eli Lilly que atua diretamente nos primeiros sintomas da doença.
O tratamento, cujo princípio ativo é o donanemabe, é indicado para pacientes que apresentam sinais leves de comprometimento cognitivo ou demência incipiente. Aplicado mensalmente por via intravenosa, o remédio busca interferir na formação de placas de beta-amiloide — proteínas ligadas à degeneração cerebral característica do Alzheimer.
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“O objetivo é retardar a progressão clínica da doença ao reduzir a presença desses aglomerados no cérebro”, afirma a fabricante. O uso é exclusivo mediante prescrição médica, com administração supervisionada em ambiente controlado.
A decisão da Anvisa se baseia em um estudo internacional com mais de 1,7 mil pacientes em oito países. O ensaio clínico demonstrou que, após pouco mais de um ano e meio de tratamento, os pacientes que utilizaram o Kisunla apresentaram avanço significativamente menor dos sintomas em comparação ao grupo que recebeu placebo.
Apesar do avanço terapêutico, o novo medicamento não é indicado para todos os perfis. Pacientes que utilizam anticoagulantes ou que apresentam angiopatia amiloide cerebral estão entre as contraindicações, assim como aqueles com o gene ApoE ε4, que aumenta o risco de efeitos adversos. Febre, dores de cabeça e reações semelhantes à gripe estão entre os efeitos colaterais mais observados.
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A chegada do medicamento ao país reforça a importância do diagnóstico precoce, já que o Alzheimer tende a evoluir com o tempo. Em sua fase inicial, a doença pode ser percebida por alterações na memória, desorientação e mudanças de comportamento. Mesmo sendo mais comum após os 70 anos, casos mais precoces também são registrados.
Considerada a forma mais comum de demência, o Alzheimer ainda não tem cura. A enfermidade provoca a deterioração progressiva das funções cerebrais, impactando profundamente a vida do paciente e de seus familiares. A ciência, no entanto, avança em busca de alternativas que prolonguem a qualidade de vida daqueles que convivem com o diagnóstico.
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