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quarta-feira, setembro 16, 2026

Ouvir música instrumental pode melhorar o desempenho de crianças em tarefas de atenção

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Um estudo recente conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que a música instrumental pode funcionar como uma ferramenta simples e eficaz para aumentar o foco de crianças durante atividades que exigem atenção. A descoberta abre espaço para o uso da música como estratégia complementar no enfrentamento dos sintomas do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), condição que afeta milhões de crianças em todo o mundo.

A pesquisa, publicada no Interactive Journal of Medical Research, envolveu 76 meninos entre 10 e 12 anos, com e sem diagnóstico de TDAH. Os participantes realizaram testes de atenção em duas condições: em silêncio e ouvindo música instrumental por fones de ouvido. O repertório foi composto por faixas sem letra, derivadas de músicas populares entre o público jovem. Segundo os autores, a ausência de vocais foi intencional, para evitar distrações adicionais.

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O resultado foi claro: independentemente do diagnóstico, as crianças cometeram menos erros nas tarefas quando havia música ao fundo. O tempo de resposta, no entanto, permaneceu estável, o que, segundo os cientistas, sugere que o benefício da música está mais relacionado ao ambiente motivacional do que a uma melhora direta na atenção. “Acreditamos que o som funcione como um estímulo que mantém a criança mais engajada e alerta”, explicam os pesquisadores envolvidos.

A equipe responsável pelo estudo pertence ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Neurotecnologia Responsável (INCT NeuroTec-R), sediado na Faculdade de Medicina da UFMG. Segundo eles, o objetivo foi avaliar intervenções não medicamentosas que possam ajudar a manejar o TDAH. A estratégia, embora simples, pode oferecer alívio real no cotidiano escolar de milhares de crianças — e também na rotina de pais e professores.

“Um ambiente mais acolhedor e menos estressante pode ajudar no rendimento, principalmente em tarefas repetitivas ou que exigem concentração prolongada”, afirma Jonas Jardim de Paula, um dos responsáveis pelo estudo. A inclusão apenas de meninos no grupo de teste teve como justificativa a maior incidência de TDAH no sexo masculino.

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O teste utilizado foi o ANT (Attention Network Test), amplamente aplicado em pesquisas sobre atenção e funções executivas. A tarefa consistia em identificar a direção de um peixe central numa tela, sob diferentes condições visuais e de distração.

Embora o impacto da música tenha se mostrado mais significativo na redução de erros do que na velocidade de resposta, os cientistas reforçam que a escolha do estilo musical deve levar em conta o gosto da criança. “Músicas sem letra e com ritmo estável parecem ser mais eficientes, mas é importante que elas agradem ao ouvinte”, diz Débora Miranda Marques, coautora da pesquisa.

Além disso, os pesquisadores destacam a importância de observar os adultos da casa. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 30% das crianças com TDAH têm um ou ambos os pais com o transtorno. Isso reforça a necessidade de uma abordagem familiar na condução dos cuidados.

A pesquisa contribui para o debate sobre o uso de intervenções complementares no tratamento do TDAH, tema que ainda carece de maior conscientização e formação adequada entre os profissionais da educação e da saúde. Os autores planejam novos estudos para investigar o efeito de diferentes estilos musicais em variadas situações cognitivas.

“O TDAH é um desafio diário, e qualquer ferramenta que auxilie no processo de aprendizagem e desenvolvimento deve ser considerada. A música pode ser uma dessas aliadas”, conclui o grupo.

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