O hábito de adicionar sal à comida com frequência pode representar mais riscos à saúde do que se imaginava. Uma nova pesquisa, conduzida a partir da base de dados do UK Biobank e analisada por cientistas da Universidade Médica de Xinjiang, na China, associou o uso excessivo do condimento ao aumento da probabilidade de transtornos como ansiedade e depressão.
Com base em exames e dados comportamentais de 440 mil adultos ao longo de 12 anos, os pesquisadores observaram que os participantes que acrescentavam sal aos alimentos regularmente apresentaram risco até 34% maior de desenvolver ansiedade e 45% maior de sofrer de depressão, quando comparados a quem raramente fazia uso do produto.
A análise, publicada na edição de julho do Journal of Affective Disorders, também apontou que o consumo elevado de sal está relacionado ao envelhecimento celular acelerado — um fator que pode agravar ou antecipar problemas de saúde mental. Para os cientistas, o desgaste biológico provocado pelo excesso de sódio pode ser uma das razões por trás do impacto observado no cérebro.
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Mesmo entre os que usavam sal com menor frequência, o risco de alterações emocionais ainda se mostrou elevado. Pessoas que disseram adicionar sal “às vezes” ou “geralmente” tiveram aumento de até 16% no risco de depressão e de até 10% no risco de ansiedade.
Para especialistas da área de nutrição, o dado reforça o alerta sobre os riscos do consumo abusivo de sódio, já conhecido por sua relação com hipertensão, problemas renais e cardiovasculares. “É importante educar a população sobre o uso de temperos naturais como ervas, alho, cebola e pimentas. Essa é uma forma de preservar o sabor dos alimentos sem recorrer ao excesso de sal”, explica a nutricionista Beatriz Hiromi, de Osasco (SP).
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A pesquisa também reacende o debate sobre políticas de saúde pública voltadas à alimentação. Atualmente, as campanhas se concentram, em sua maioria, nos efeitos do sódio sobre o coração, mas os autores do estudo sugerem ampliar a discussão para os impactos mentais. Eles afirmam que novas pesquisas devem explorar como diferentes tipos de sal — incluindo versões consideradas “mais saudáveis”, como o sal rosa ou marinho — afetam o organismo de forma ampla.
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