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quarta-feira, setembro 16, 2026

Adolescente holândes faz operação no joelho e acorda falando apenas em inglês

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O que era para ser apenas uma cirurgia rotineira no joelho se transformou em um caso raro que despertou o interesse da comunidade médica internacional. Um adolescente holandês surpreendeu a todos ao despertar do procedimento falando apenas inglês — idioma que conhecia superficialmente — e sem reconhecer os próprios pais.

Segundo os médicos responsáveis pelo caso, publicado no Journal of Medical Case Reports, o jovem sempre havia se comunicado exclusivamente em holandês e aprendia inglês apenas em aulas escolares comuns. No entanto, ao acordar da anestesia, acreditava estar nos Estados Unidos e se expressava fluentemente no idioma estrangeiro, com um leve sotaque holandês.

A equipe médica inicialmente considerou a possibilidade de delírio pós-anestésico, um estado de confusão comum após cirurgias, que costuma durar poucos minutos. Mas o comportamento do paciente persistiu por horas, o que levou os especialistas a consultarem psiquiatras.

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Durante a avaliação, o adolescente compreendia perguntas em inglês e respondia com desenvoltura, mas enfrentava dificuldade ao tentar usar sua língua materna. A hipótese mais compatível foi a chamada síndrome da língua estrangeira, uma condição neurológica extremamente rara, associada a alterações em áreas do cérebro ligadas à linguagem.

Apesar da estranheza do quadro, o jovem apresentou uma recuperação rápida. Menos de um dia após o episódio, já conseguia entender o holandês e, no dia seguinte, voltou a falar normalmente com os amigos. Três semanas depois, estava completamente restabelecido.

Ainda assim, o caso permanece sem uma causa definida. O paciente relatou lembrar do momento em que acordou sem reconhecer os pais, e sabia que falava inglês, mas se via incapaz de acessar o idioma nativo.

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Casos como esse são considerados excepcionais. Até então, segundo o relatório médico, apenas oito episódios haviam sido registrados, sendo este o primeiro envolvendo um adolescente. A neurocirurgiã Renata B. de Faria Cavalcante, do Hospital Sírio-Libanês, explica que a síndrome pode ser causada por lesões cerebrais, como as provocadas por AVCs, traumas ou tumores, mas também pode aparecer em situações psiquiátricas, mesmo sem danos estruturais aparentes.

“Não se trata de aprender um novo idioma, mas de uma alteração na forma como a fala é articulada, o que gera a impressão de um sotaque estrangeiro”, esclarece a especialista. Embora rara, a síndrome continua intrigando a ciência — especialmente em casos onde nenhuma anormalidade cerebral é detectada.

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