Um extenso tapete branco que se estende por mais de 32 mil hectares no sul da Espanha chama a atenção até do espaço. Conhecido como “Mar de Plástico”, esse aglomerado de estufas agrícolas cobre a região de Poniente Almeriense, na província de Almería, e transformou completamente a paisagem desde a década de 1960. A explosão da agricultura intensiva na região, que hoje abastece grande parte da Europa com frutas e hortaliças, esconde por trás do brilho de seus plásticos uma realidade marcada por impactos ambientais severos e condições de trabalho precárias.
Tudo começou com uma solução simples: agricultores locais usaram plástico para cobrir o solo árido e aumentar a produtividade. O resultado foi tão eficaz que o modelo se espalhou rapidamente. Atualmente, o “mar” artificial produz entre 2,5 e 3,5 milhões de toneladas de alimentos por ano, como tomates, melancias, pepinos e pimentões. A produção vem tanto de pequenas propriedades familiares quanto de grandes conglomerados do setor agroindustrial.
++ Ataques de peixes ferem banhistas e levam ao fechamento de balneário em Bonito
Mas o crescimento acelerado tem seu preço. Embora os plásticos brancos reflitam parte da radiação solar e tenham ajudado a resfriar a região em até 0,3 ºC por década — uma exceção em meio ao aquecimento global —, a degradação do material usado nas estufas se tornou uma fonte alarmante de poluição. A cada ano, cerca de 5 mil toneladas de plástico acabam descartadas inadequadamente, muitas atingindo o mar.
Pesquisas do Instituto de Diagnóstico Ambiental e Estudos da Água da Espanha mostram que a costa de Almería possui uma das maiores concentrações de microplásticos do Mediterrâneo. O descarte também contamina o lençol freático e sistemas de água potável, agravando a escassez hídrica provocada pela irrigação intensiva.
A crise ambiental se soma a denúncias constantes de exploração laboral. Milhares de trabalhadores migrantes — muitos em situação irregular, vindos principalmente da África — são empregados nas estufas em jornadas exaustivas, com salários abaixo do mínimo e sem qualquer proteção legal. Moram, em sua maioria, em barracos improvisados, sem saneamento básico ou acesso à água potável.
++ Animais de estimação ajudam na recuperação de pacientes e aliviam estresse em hospitais
Apesar de sua contribuição econômica, o “Mar de Plástico” é um exemplo emblemático de como a industrialização do campo pode gerar desequilíbrios profundos — visíveis não só do espaço, mas também nas margens esquecidas da sociedade.
Não deixe de nos seguir no Instagram para mais notícias da Pardal Tech



