Reunir amigos para saborear peixe e beber em dias quentes não é um costume recente no Brasil. Uma pesquisa recente sugere que essa tradição já existia há mais de dois mil anos entre os povos indígenas que habitavam a região da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul.
A análise de fragmentos de cerâmica datados entre 2300 e 1200 anos atrás revelou vestígios de bebidas fermentadas e consumo de pescado. Os achados foram identificados em estruturas conhecidas como “Cerritos”, montes de terra firme construídos por grupos ancestrais dos Charrua e Minuano. O estudo, publicado na revista científica PLOS ONE, aponta que essas reuniões tinham grande importância social e cultural, funcionando como encontros comunitários marcados pela fartura de alimentos e celebrações.
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Segundo os pesquisadores, as bebidas eram produzidas a partir da fermentação de vegetais como milho, tubérculos e palma. Os vestígios encontrados nos recipientes indicam que o consumo dessas bebidas fazia parte das festividades, possivelmente ligadas à migração de peixes na região.
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Para os cientistas envolvidos na pesquisa, os Cerritos eram locais estratégicos para rituais e eventos coletivos. Marjolein Admiraal, pesquisadora da Universidade de York, afirma que as celebrações nesses montes serviam para reunir comunidades dispersas, promovendo interações sociais e culturais. O arqueólogo Rafael Milheira, da Universidade Federal de Pelotas, complementa que a produção de cerâmica pode ter sido planejada com antecedência para esses encontros, reforçando o papel dos Cerritos na organização social da época.
Os autores do estudo destacam a importância da preservação desses sítios arqueológicos, considerados fundamentais para compreender as práticas e tradições dos povos pré-coloniais do sul do Brasil.



