A fauna australiana continua a surpreender, e desta vez a novidade vem do mundo das aves. Pesquisadores do American Museum of Natural History descobriram que 37 espécies apresentam um brilho único quando expostas à luz ultravioleta. O fenômeno, conhecido como biofluorescência, parece desempenhar um papel importante na hierarquia entre os machos e na atração de fêmeas para o acasalamento.
O estudo se concentrou nas aves-do-paraíso, pertencentes à família Paradisaeidae, encontradas no leste da Austrália, Indonésia e Nova Guiné. Os cientistas notaram que o efeito fluorescente é mais acentuado nos machos, especialmente em regiões corporais exibidas durante os rituais de corte, como bico, pés e penas na cabeça, pescoço e barriga. Já nas fêmeas, o brilho se restringe à plumagem do peito e da barriga.
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As aves-do-paraíso vivem em florestas tropicais próximas ao equador, onde a luz solar intensa é filtrada por copas densas, criando um ambiente ideal para a biofluorescência. De acordo com os pesquisadores, os pigmentos nos olhos dessas aves estão ajustados para perceber os padrões fluorescentes, realçando contrastes e auxiliando na comunicação visual.
“Essas aves exuberantes parecem se comunicar de maneiras tão chamativas quanto sua aparência”, destaca o estudo publicado na Royal Society Open Science.
Apesar de fascinantes, biofluorescência e bioluminescência são fenômenos distintos. A biofluorescência ocorre quando um organismo absorve luz e a reflete em outra cor, sem gerar luz própria. É um processo observado em corais, peixes e répteis, ajudando na camuflagem e comunicação.
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Já a bioluminescência envolve uma reação química interna, na qual organismos como vaga-lumes, águas-vivas e peixes emitem luz para atrair presas, se comunicar ou afastar predadores. Diferente da biofluorescência, a bioluminescência não depende de uma fonte de luz externa para se manifestar.
A descoberta do brilho oculto das aves australianas adiciona mais um capítulo ao estudo da biofluorescência na natureza, destacando como esse mecanismo pode influenciar o comportamento e a evolução das espécies.



