Um estudo inovador conduzido por pesquisadores da Universidade do Arizona revelou que o coração humano é capaz de regenerar células musculares quando submetido a repouso, como ocorre em pacientes que utilizam dispositivos de assistência ventricular (DAVi), também conhecidos como corações artificiais. A descoberta representa um avanço significativo no tratamento da insuficiência cardíaca, uma das principais causas de internação por problemas cardíacos no Brasil.
A insuficiência cardíaca, que afeta entre 1% e 2% da população brasileira, é uma condição crônica e progressiva que atualmente não tem cura. O tratamento disponível, baseado em medicamentos, busca apenas retardar sua evolução. Para pacientes em estágio avançado da doença, o transplante cardíaco ou o uso de dispositivos como os DAVis são as únicas opções para manter a circulação sanguínea.
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Os cientistas, ao analisar tecidos cardíacos de pacientes transplantados, observaram que aqueles que haviam utilizado o DAVi apresentavam taxas de regeneração celular até seis vezes superiores às de corações saudáveis. Essa capacidade regenerativa foi confirmada por meio de estudos realizados em colaboração com o Instituto Karolinska, na Suécia, utilizando técnicas avançadas de datação por carbono.
A pesquisa também se apoia em trabalhos anteriores, como os realizados pelo cientista Hesham Sadek, que em 2011 identificou a divisão celular no músculo cardíaco durante o período fetal e, posteriormente, em 2014, forneceu indícios de que o coração poderia regenerar células em circunstâncias específicas.
Os resultados sugerem que o uso do DAVi, ao aliviar a carga de trabalho do coração e permitir seu “repouso”, cria condições favoráveis para a regeneração celular. Em alguns casos, pacientes que utilizaram o dispositivo apresentaram recuperação significativa, a ponto de dispensarem o uso do coração artificial.
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O desafio agora é compreender por que essa regeneração ocorre apenas em uma parcela dos pacientes. A resposta pode abrir caminho para estratégias que ampliem os benefícios do tratamento a todos os casos de insuficiência cardíaca, trazendo a perspectiva de uma possível cura para a doença.
Enquanto isso, os dispositivos de assistência ventricular continuam a ser uma ferramenta crucial no manejo de casos graves, e a ciência avança na busca por soluções que transformem o cenário do tratamento cardíaco.



