Uma equipe de cientistas realizou um experimento inovador ao enviar minicérebros para a Estação Espacial Internacional (ISS) para estudar o comportamento das células cerebrais em microgravidade. Após um mês em órbita, os resultados trouxeram descobertas inesperadas, revelando que o ambiente espacial pode ser mais adequado para simular o desenvolvimento do cérebro humano do que os métodos tradicionais em laboratório.
Os minicérebros, conhecidos como organoides, foram criados a partir de células-tronco pluripotentes induzidas (iPSCs), reprogramadas a partir de células adultas. Esses organoides foram projetados para simular neurônios corticais e dopaminérgicos, além de microglia, células imunológicas relacionadas à inflamação. A experiência envolveu dois grupos: metade das amostras permaneceu na Terra como controle, enquanto o restante foi enviado ao espaço.
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No retorno, os cientistas constataram que as células expostas à microgravidade demonstraram uma maturação mais acelerada, embora com menor taxa de replicação celular, em comparação às amostras terrestres. Essa descoberta sugere que o ambiente espacial pode oferecer condições mais próximas ao desenvolvimento natural do cérebro humano.
Outro achado relevante foi o nível reduzido de estresse e inflamação nas células que estiveram no espaço, comparado às mantidas no laboratório. Jeanne Loring, bióloga molecular e coautora do estudo, destacou que o simples fato de as células terem sobrevivido à jornada espacial já foi surpreendente, considerando os desafios impostos pelo ambiente.
Os resultados abrem novas perspectivas para a pesquisa de doenças como Parkinson, esclerose múltipla e outras condições neurodegenerativas. A microgravidade pode se tornar uma ferramenta valiosa para compreender melhor essas patologias e até testar tratamentos inovadores, incluindo medicamentos em fase inicial de desenvolvimento.
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Embora o experimento tenha ocorrido em 2019, suas conclusões, publicadas recentemente na revista Stem Cells Translational Medicine, reforçam a importância de estudos no espaço para avanços na medicina. O ambiente espacial, ao proporcionar condições mais semelhantes às naturais do cérebro humano, pode ajudar a revolucionar o conhecimento sobre o desenvolvimento neurológico e o tratamento de doenças.



