Dois episódios envolvendo agentes da Polícia Militar de São Paulo colocaram em destaque o tema da violência policial no estado. Em situações distintas, um policial foi filmado jogando um homem de uma ponte, enquanto outro, de folga, foi flagrado atirando nas costas de um homem negro após uma tentativa de furto em um mercado. Ambos os casos foram amplamente debatidos nas redes sociais e provocaram reações de autoridades.
O governador Tarcísio de Freitas declarou que “providências serão tomadas” e ressaltou que atitudes como essas não condizem com os valores da corporação. “Quem age dessa forma não está à altura de usar essa farda”, afirmou. O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, também se manifestou, destacando o afastamento imediato dos policiais envolvidos e reforçando que tais ações não refletem a conduta da instituição.
Imagens divulgadas na última segunda-feira, dia 2, mostram um policial militar empurrando um homem de uma ponte no bairro de Vila Clara, na Zona Sul da capital paulista. O homem, que teria resistido a uma abordagem, foi jogado no rio e sobreviveu ao incidente, embora detalhes sobre seu estado de saúde ainda não tenham sido divulgados.
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De acordo com a Polícia Militar, os agentes envolvidos pertenciam ao 24º BPM de Diadema e participavam de uma perseguição que terminou na Zona Sul. Treze policiais ligados ao episódio foram afastados, e um inquérito policial militar foi instaurado para investigar o caso. Em nota, a instituição repudiou a conduta e reafirmou seu compromisso com a legalidade e a ética.
Outro caso que gerou indignação ocorreu em um mercado na Zona Sul, onde um policial militar de folga atirou diversas vezes nas costas de Gabriel Renan da Silva, um homem negro de 29 anos, após ele tentar furtar produtos. O episódio aconteceu no dia 3 de novembro, mas só ganhou repercussão nesta semana.
As câmeras de segurança registraram Gabriel caindo no estacionamento após escorregar durante a fuga. O policial, que estava no caixa, sacou a arma e disparou contra ele. O boletim de ocorrência indicou 11 perfurações no corpo da vítima. O agente alegou legítima defesa, afirmando que acreditava que Gabriel estava armado, informação que ainda está sob apuração.
A Secretaria de Segurança Pública confirmou o afastamento do policial das atividades operacionais e informou que o caso está sendo investigado pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
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Os episódios reacenderam debates sobre a letalidade policial no estado de São Paulo, que teve uma taxa de 1,1 morte por 100 mil habitantes em 2023, acima do índice registrado no ano anterior, de 0,9. Nacionalmente, a média é de 3,1 mortes por 100 mil habitantes, segundo o Anuário de Segurança Pública.
A repercussão reforça a necessidade de discussões sobre práticas e condutas das forças de segurança, além de cobrar transparência nas investigações em andamento. Autoridades prometem ações para evitar que casos como esses voltem a ocorrer.



