A Polícia Federal (PF) desvendou detalhes de um plano golpista atribuído a militares, utilizando métodos sofisticados para reunir provas. Entre as técnicas empregadas, destacam-se a análise de impressões digitais por fotografias, recuperação de mensagens apagadas, exame de dados de geolocalização e inspeção de históricos de impressoras.
Uma foto armazenada em um celular apreendido, por exemplo, revelou a identidade do tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira. A imagem de uma CNH segurada pela mão esquerda de um homem permitiu identificar a digital no dedo indicador, comprovando sua participação.
Evidências digitais e documentos comprometedores
A apreensão de equipamentos como celulares, HDs e pen drives revelou documentos que detalham um suposto planejamento de atentados contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Um arquivo intitulado “Fox_2017.docx” foi descrito pelos investigadores como um “planejamento de alto risco com características terroristas”.
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A análise dos metadados indicou que o documento foi criado pelo general da reserva Mário Fernandes, à época secretário-executivo da Secretaria-geral da Presidência. O relatório mostra que o texto foi impresso no Palácio do Planalto e, posteriormente, levado ao Palácio da Alvorada.
Mensagens apagadas recuperadas e informações cruzadas
Mensagens apagadas do aplicativo WhatsApp, atribuídas ao tenente-coronel Mauro Cid, foram recuperadas usando softwares periciais. Embora desordenadas, as palavras deletadas foram reorganizadas pelos investigadores, permitindo a reconstrução de conversas que detalhavam monitoramentos de autoridades e movimentações suspeitas.
Mensagens trocadas entre os envolvidos indicavam o acompanhamento de agendas e deslocamentos de Alexandre de Moraes. Informações cruzadas com registros de voos confirmaram que os investigados monitoravam o itinerário do ministro.
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Dados de impressoras e geolocalização reforçam acusações
Além das mensagens, registros de impressoras no Planalto mostraram que o general Mário Fernandes imprimiu o documento golpista no dia 9 de novembro de 2022. A impressão ocorreu minutos antes de sua entrada no Palácio da Alvorada, conforme registros de controle de acesso.
A localização de celulares de outros investigados também foi determinante para confirmar encontros clandestinos. Dados de geolocalização mostraram a presença de militares em locais mencionados nas conversas interceptadas.
Conclusão das investigações
O uso de técnicas avançadas de perícia e cruzamento de informações foi fundamental para avançar nas apurações. Os investigadores destacam que os dados coletados não apenas comprovam as movimentações, mas também detalham o planejamento das ações. O caso segue em análise, com novas descobertas reforçando as acusações contra os envolvidos.



