O general da reserva Mário Fernandes, detido pela Polícia Federal nesta terça-feira (19), admitiu em julho de 2022, durante uma reunião no Palácio do Planalto, a possibilidade de adotar medidas que poderiam “conturbar o país” antes das eleições daquele ano. O encontro, gravado em vídeo encontrado nos arquivos de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, foi analisado e incluído em investigações conduzidas pela PF e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante a reunião, Fernandes sugeriu estabelecer prazos para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) implementasse medidas de supervisão eleitoral envolvendo os Três Poderes. O general argumentou que, caso ações não fossem tomadas rapidamente, o governo poderia perder “liberdade de ação”.
“É muito melhor assumir um pequeno risco de conturbar o país antes do pleito do que enfrentar uma crise maior no ‘day after’, quando os resultados já estiverem definidos”, declarou Fernandes no vídeo.
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As investigações da PF indicam que o general Fernandes desempenhou papel de liderança no planejamento de ações antidemocráticas após as eleições. O relatório enviado ao STF aponta que ele manteve vínculos com manifestantes radicais acampados próximo ao Quartel-General do Exército em Brasília e teria participado do desenvolvimento de um esquema para atacar lideranças políticas e judiciais, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Os delegados descrevem Fernandes como “um dos militares mais radicais do núcleo militar” que teria fomentado apoio a atos contra a democracia. Entre as suspeitas estão a elaboração de estratégias operacionais detalhadas para eliminar adversários políticos e desestabilizar o governo eleito.
Fernandes, que ocupou o cargo de secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência entre 2020 e 2023, também atuava no gabinete do deputado federal Eduardo Pazuello até ser afastado por decisão judicial. Sua defesa ainda não se pronunciou sobre as acusações.
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A investigação continua sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes e apura o possível envolvimento de outros integrantes do núcleo militar e civil em ações planejadas para inviabilizar a transição democrática no país.



