A vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais trouxe euforia para os mercados financeiros, com investidores apostando em políticas mais flexíveis para o setor bancário e investimentos alternativos. A expectativa de menor regulação impulsionou as ações de bancos e grandes empresas de investimento. Goldman Sachs, JPMorgan, Citigroup e Bank of America tiveram ganhos consideráveis nos dias seguintes à eleição, refletindo a confiança de que o novo governo adotará uma abordagem menos rígida.
A perspectiva de Trump na presidência é de mais nomeações favoráveis a Wall Street, o que, somado ao possível controle republicano no Congresso, pode facilitar uma extensão nos cortes de impostos corporativos que beneficiaram o setor. “Menos regulação é sempre bem-vinda para um setor muito regulado como o financeiro”, afirma Stephen Biggar, da Argus Research.
Desde a crise financeira de 2008, regulamentos globais mais restritivos foram aplicados para mitigar riscos de falências bancárias. Com novas regras de capital, como Basileia III, os grandes bancos passaram por uma reestruturação exigente, mas CEOs como Jane Fraser, do Citigroup, esperam que a flexibilização continue. Para analistas como Mike Mayo, do Wells Fargo, o período de forte controle regulatório bancário está no fim, com o “pêndulo regulatório” voltando a se equilibrar.
A flexibilização das regras de capital pode favorecer o crescimento de empréstimos e o aquecimento do mercado de fusões e aquisições (M&A), que teve uma queda significativa nos últimos anos. Com mais de US$ 2,6 trilhões em caixa, empresas de private equity estão de olho em 2025, quando a possível queda nas taxas de juros pode aquecer o mercado de aquisições. No entanto, há incertezas sobre como tarifas e políticas de Trump impactarão esses planos. “Se o populismo se sobrepor à economia, as reações do mercado podem ser rápidas”, alerta Mayo.
Regulações impostas pela presidente da FTC, Lina Khan, também levantam polêmicas, já que medidas contra monopólios e fusões tornaram-se mais rigorosas. Críticos esperam que a nova administração adote uma linha mais favorável à expansão das empresas, inclusive no mercado de SPACs (companhias de propósito específico de aquisição), que, após anos de baixa, já sinalizam retomada.
Enquanto isso, a promessa de demitir Gary Gensler, presidente da SEC, agradou entusiastas de criptomoedas. Sob sua gestão, o órgão endureceu regulamentações em diversas áreas, incluindo ativos digitais e ESG. Com um cenário de IPOs e SPACs mais aquecido previsto para 2025, especialistas como Christian Nagler, da Kirkland & Ellis, esperam que os processos de revisão de IPOs e registros de capital voltem a ser mais ágeis, favorecendo novos lançamentos.
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Essas expectativas alimentam a visão de que a segunda gestão Trump pode criar um ambiente mais amigável para o setor financeiro, com uma retomada do mercado de capitais e maior confiança entre investidores, ampliando as oportunidades de crescimento.
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