O enterramento de cabos elétricos em São Paulo, uma solução apontada como fundamental para modernizar a infraestrutura urbana da capital, está emperrado por um motivo que vai além de dificuldades técnicas ou financeiras: a ausência de vontade política. Em entrevista, o promotor de justiça Silvio Marques afirmou que, apesar dos estudos e da tecnologia disponíveis, o avanço do projeto está parado devido à falta de ação dos gestores públicos.
Segundo Marques, que conduz uma das duas investigações sobre o tema no Ministério Público, há cerca de dois anos e meio a Prefeitura de São Paulo criou um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade de enterrar os cabos na cidade. Este grupo inclui representantes de diversas secretarias municipais, da Procuradoria Geral do Município e do Ministério Público, mas o projeto não avançou de forma significativa desde então.
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O promotor explicou que o modelo estudado para São Paulo é diferente de outras grandes metrópoles mundiais, como Londres e Nova York, onde grandes galerias subterrâneas abrigam múltiplos serviços. No caso paulistano, o foco seria o enterramento de cabos de telecomunicação e energia elétrica, algo que já foi testado em regiões como a Avenida Santo Amaro. Apesar disso, Marques destacou que a legislação sobre energia e telecomunicações é de competência federal, o que torna necessária uma maior coordenação entre esferas de governo para que o projeto seja viabilizado.
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Embora o custo do projeto seja elevado, Marques enfatizou que o problema central não é financeiro, mas sim político. “Falta vontade política”, reiterou o promotor, frisando que há informações concretas sobre custos e viabilidade técnica, restando apenas uma maior articulação entre os poderes para que o plano se concretize e melhore a infraestrutura urbana da cidade.
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