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quarta-feira, setembro 16, 2026

Cientistas enfrentam batalha judicial após desmentir falsa ligação entre diabetes e vermes

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Duas cientistas, Laura Marise e Ana Bonassa, do canal Nunca Vi Um Cientista, travam uma longa disputa judicial após desmentirem uma alegação falsa que relacionava diabetes à presença de vermes no organismo. A controvérsia surgiu após a dupla divulgar um vídeo explicativo que refutava as alegações de um influenciador e nutricionista que promovia um “protocolo de desparasitação” como tratamento para a doença.

A Justiça de São Paulo havia condenado as cientistas a pagar uma indenização por danos morais ao nutricionista, mas o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a decisão, destacando a importância do embate pela verdade científica. “A suspensão da sentença é um marco para mostrar que a ciência está vencendo a primeira batalha”, afirma Laura Marise, farmacêutica-bioquímica e pós-doutora em bioquímica.

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As pesquisadoras explicam que a diabetes é uma doença crônica causada pela má produção ou absorção da insulina, hormônio essencial para o controle da glicose no sangue. O pâncreas, que produz insulina, não é afetado por vermes, o que invalida a tese promovida pelo influenciador. “A ideia é absurda. Mesmo quem não é especialista sabe que vermes não têm qualquer ligação com diabetes”, comenta Ana Bonassa, bióloga e doutora em ciências.

Desinformação científica e o impacto nas redes

O canal das cientistas tem como missão combater a desinformação e esclarecer temas científicos que circulam nas redes sociais. Além do vídeo sobre a falsa associação entre vermes e diabetes, elas já abordaram questões como a eficácia de medicamentos genéricos e desinformações sobre vacinas contra a Covid-19. Ana ressalta o desafio contínuo de combater inverdades: “Quem cria desinformação gasta pouco tempo, mas desmentir leva muito mais esforço. É um trabalho interminável”.

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Mesmo com a suspensão da decisão judicial, a batalha legal segue. No entanto, Laura e Ana continuam sua missão de educar o público e alertar sobre os perigos de soluções fáceis e sem embasamento científico. “A verdade nem sempre oferece respostas imediatas, mas é nosso papel incentivar o ceticismo e a busca por informações corretas”, conclui Laura.

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A disputa judicial teve início quando, em agosto, a 1ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo ordenou que o vídeo fosse removido e determinou que as cientistas pagassem R$ 1.000 de indenização ao influenciador. O processo foi motivado pela aparição de um print do perfil do nutricionista no vídeo, o que a juíza considerou uma exposição inadequada.

Apesar dos desafios, as cientistas seguem firmes no combate à desinformação e continuam a lutar pelo reconhecimento da ciência em um cenário cada vez mais tomado por inverdades.

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