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sábado, outubro 31, 2026

Estudo revela desigualdade de gênero nas taxas de juros para empreendedoras

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Mulheres empreendedoras enfrentam taxas de juros mais altas e acesso reduzido ao crédito, segundo um estudo do Sebrae baseado em dados do Banco Central. A pesquisa, intitulada “O financiamento do empreendedorismo feminino no Brasil: um panorama do mercado de crédito”, mostrou que as empresárias pagam uma taxa média de 40,6% ao ano, enquanto os homens enfrentam 36,8%.

A disparidade é ainda mais acentuada em algumas regiões. No Rio de Janeiro, as microempreendedoras individuais (MEI) pagam 60,49% ao ano, comparado a 47,96% para pequenos negócios gerais. Em Sergipe, essas taxas são 58,54% e 36,42%, respectivamente. No Ceará, as mulheres enfrentam uma taxa de 58,42%, em contraste com a média de 40,72% para todos os pequenos negócios.

Apesar dessas diferenças nas taxas de juros, a inadimplência entre empresas geridas por mulheres (7,6%) é semelhante àquelas lideradas por homens (7,1%), refutando a ideia de que empréstimos para mulheres representariam maior risco financeiro.

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Além de pagarem mais juros, as mulheres também recebem uma parcela menor do crédito disponível. Elas representam quase 40% das 23,1 milhões de operações realizadas no primeiro trimestre de 2024, mas só obtêm 29,4% dos R$ 109 bilhões em empréstimos destinados ao segmento de pequenos negócios.

Margarete Coelho, diretora de Administração e Finanças do Sebrae, destaca que os desafios enfrentados pelas mulheres vão além do econômico. “Há componentes estruturais que precisam ser reconhecidos, incluindo os papéis de gênero que desvalorizam as capacidades empresariais das mulheres, levando a um preconceito implícito nas instituições. Questões socioculturais, como responsabilidades domésticas desproporcionais e falta de apoio institucional, resultam em menos tempo para se dedicar ao negócio”, afirma.

Giovanni Bevilaqua, coordenador de Acesso a Crédito e Investimentos do Sebrae Nacional, enfatiza a importância de usar esses dados para promover a equidade. “Os números refletem aspectos culturais da sociedade e devem guiar ações para reduzir desigualdades, inclusive de gênero”, diz Bevilaqua.

O estudo também revela que modalidades de crédito, como cartões de crédito, são mais onerosas para as empreendedoras, com taxas anuais de 188% para mulheres contra 136,6% para homens. O acesso fácil a cartões de crédito, muitas vezes oferecido automaticamente ao abrir uma conta bancária, contrasta com outras opções de empréstimo que necessitam de solicitação e análise prévia, geralmente com condições mais vantajosas.

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Dados principais da pesquisa (1º trimestre de 2024):

  • Taxa média de juros anual para pequenos negócios:
    • Mulheres: 40,6%
    • Homens: 36,8%
  • Taxa média de inadimplência:
    • Mulheres: 7,6%
    • Homens: 7,1%
  • Taxa média de juros anual do cartão de crédito:
    • Mulheres: 188%
    • Homens: 136,6%
  • Crédito concedido a pequenos negócios: R$ 109 bilhões
    • Para mulheres: 29%
    • Para homens: 71%

Esses dados evidenciam a necessidade de políticas públicas e iniciativas do setor privado que promovam maior igualdade de condições no mercado de crédito para mulheres empreendedoras.

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